(By: Galtiery Rodrigues)
Como usar:
É isso!
(By: Galtiery Rodrigues)
Como usar:
É isso!
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No Rio de Janeiro em uma mesa de bar, com vista para o mar de Copacabana, deparei-me mais uma vez com situação recorrente e que me desanima de acreditar nas pessoas. O rapaz, melhor, o homem foi caçoado pelos amigos por ter marcado o primeiro encontro com a menina que está gostando em um show do Ney Matogrosso, na Lapa. E o motivo único da gozação foi: Ney é gay, bichona, como chegou a dizer uma das mulheres do grupo. Então, depois disso, desisti de tudo, inclusive de argumentar, quase de viver, mas preferi abstrair o momento. Ponto!
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Cantei muito no Rio. Impossível não se render à lembrança que cada esquina e paisagem traz. Cidade tantas vezes musicada e citada em versos dos grandes e maiores deste País, resta-nos cantarolar as menções, quando presentes de seus substantivos. Eis que me dei conta de tal hábito já no primeiro dia. As músicas saíam involuntárias, sem esforço e logo concluí que o primeiro post sobre a cidade maravilhosa aqui no blog seria este: sobre o Rio e seus recortes sonoros.
No avião, antes de pousar no Santos Dumont e vendo o sambódromo do alto, cantei:
“Será que eu serei o dono dessa festa? O rei, no meio de uma gente tão modesta? Eu vim descendo a serra, cheio de euforia para desfilar…”
No avião, também antes de pousar, o comandante informou: “Bem vindos ao Rio. Clima estável e temperatura de 25°C”. Ou seja, deu a deixa para eu começar:
“Rio 40º, cidade maravilha purgatório, da beleza e do caos…”
Já no táxi, a caminho de Copacabana, ensaiei alguns trechos:
“E já sei por onde começar. Um bom lugar para encontrar: Copacabana…”
Minutos depois, estaria a andar pela orla de Copa, onde fiquei hospedado. Já estava lotada de turistas ansiosos pelo dia seguinte, quando os fogos tomariam conta daquele céu. Ao ver o mar, logo ali adiante, restou-me mais uma vez cantar:
“Copacabana, princesinha do mar. Pelas manhãs tu és a vida a cantar…”
No último dia do ano, tudo se resumiu em preparativos e praia, pois o Sol apareceu lindão e sorrindo para todos. Naquela ânsia para que o tempo passasse lentamente, pois eu queria o máximo possível de Rio, tentei aproveitar cada segundo. Passei o dia tomando sol, o que provocou, ao fim, uma insolação nada legal. Resumindo: fiquei um pimentão. Fiquei vermelho, mas ouvi o barulho do mar, que cantava sozinho neste momento, sem minha participação e fazendo jus às palavras de Drummond, cuja estátua estava a poucos metros no mundialmente conhecido calçadão de Copa. Era a paz reinando:
A paz reinou de tal forma, que com aquela paisagem e sincronia de montanhas com água do mar, prédios e asfalto, não houve espaço para dúvidas. A música era uma só:
“Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil…”
E as pessoas? Para elas, também cantei. E foram três, uma atrás da outra:
1º – “Cariocas são bonitos, cariocas são bacanas, cariocas são sacanas…”
2º – “Menino do Rio, calor que provoca arrepio…”
3º – “Ela é carioca, ela é carioca, basta o jeitinho dela andar…”
Pós virada, marcada por queima de fogos indescritível, muuuuita gente (mais de 2 milhões de pessoas), muito aperto e nem por isso pior a experiência, pelo contrário, foi tudo lindo, o dia seguinte foi de passeio. Depois de ir ao Leblon, refrescar-me em cenário Manuel Carlesco, se é que me entendem, fui ao Cristo encontrar-me com Taynara, Luana, Marina e Cecília, a guatemalteca mais legal que eu conheço. haha Novamente, três músicas se fizeram presentes:
No Leblon, ao estilo Laços de Família, a novela, rs:
“E eu que era triste, descrente desse mundo, ao encontrar você eu conheci o que é felicidade meu amor”
“Vou te contar, os olhos já não podem ver coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo o amor…”
No Cristo, entoados pela mulata e figuraça Cristiane, que animou o trem até chegarmos lá no alto, a trilha foi:
“Vejam essa maravilha de cenário: é um episódio relicário, que o artista, num sonho genial, escolheu para este carnaval.”
Sim, esta última música não é só do Rio, eu sei. Fala do Brasil como um todo, mas a sensação ao ver a cidade lá de cima, aos pés de Cristo, era a de respirar e sentir um Brasil mais próximo. Foi isso. Rio é isso. Vim embora com esse sentimento. Quero voltar, cidade maravilhosa. Você continua linda. Aquele abraço!
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…porque escrever liberta!
Todos os dias eu abro o Word e tento. Já cheguei a fazer uma frase com ponto final e tudo, mas nunca passei disso. Para piorar, isso já tem tempo e nem lembro mais qual era. Esqueci. Noutras vezes ensaiei palavras. Várias até, que de tão aleatórias estão confusas na mente. Misturadas e obtusas. Esse é o reflexo de um sentimento persistente e que tortura. Só sei que ele existe, pois sinto, mas não sei descreve-lo. As tentativas vãs sempre surgem em momentos críticos. Instantes de pulsão e sufoco, que pairam sob a pele, somente. Enquanto isso, a tela branca esperando para ser preenchida de semântica, morfologia e verbo, porque a vontade é agir, agir e agir, estrangula os miolos restantes. Ainda vou conseguir. Ainda vou escrever o texto completo, falando tudo que tenho vontade e do jeito exato, com as palavras certas. Sina!
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São 23h52. A inspiração surgiu há 10 minutos. Surgiu, no entanto, incapaz de me fazer escrever além dessa descrição chinfrim. E tem sido assim há algum tempo. Tem faltado amor recíproco nos trópicos além desta carne. A afeição demonstrada, até então, por outros tantos tem sido carnal e se restringido à superfície, somente. Sou romântico e idealista, porque meu maior ideal é o amor. Ganha inclusive do profissional, contrariando a astrologia e a numerologia numa tacada só. Sem contar a impressão alheia, que insiste em me ter frio, mau-humorado, profissional esforçado e focado. Não adianta, só eu e você somos capazes e temos o direito de falarmos sobre a melhor parte de nós mesmos. Só nós a experimentamos em suma na solidão, porque é nela que o sentimento se torna palpável. É é isso agora, neste instante.
00:00 horas. Fim!
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Fui o primeiro a ver Ney em cima do palco em Pirenópolis. Eram 18h30, final de tarde, – lindo, por sinal -, quando ele surgiu com sua magreza e calvície lá no alto. Estavam no gramado do Campo das Cavalhadas algumas pessoas. Dentre elas, eu, Taynara Borges e Tainá Borela. Estas conversavam sobre coisas várias, enquanto eu estacionava por cinco segundos o olhar naquele homem até assegurar que de fato era ele. Foi rápida a percepção. Reconhecimento milimétrico, feito por um fã que só se deslocou até a charmosa Piri para ver o ídolo. Só não esperava que tudo começaria ali, tão cedo, tão perto e tão para mim. O show estava marcado para começar às 20h30. Fui andando em direção ao palco, as meninas vieram atrás. Olhos arregalados, sorrisos de ponta a ponta e um êxtase total que consumiu todos desde então e não se desgrudou até o fim da noite, quando ainda depois do show comentaríamos sobre aquela performance, segurança, presença, voz, destemor e interpretação.
Ney havia surgido no palco àquela hora para reconhecer o local e fazer a passagem de som. De repente ele começou a cantar e o arrepio nos consumiu desde o tornozelo, porque era tudo inacreditável. Foram três músicas e meia de Ney olhando nos nossos olhos, – piscando, inclusive – e interpretando como se estivesse no show, com figurino, luzes e mar de gente a frente, mas não. Havia pássaros no alto da estrutura de ferro: “Olha eles aí”, disse. Havia grama no chão do palco: “Parece que cavalgaram aqui em cima. Muita grama”, reclamou com humor. Havia a pouca distância da grade de proteção: “É só isso? Podia chegar mais para frente”. E havia ainda um vento que o incomodava, vindo da lateral: “Isso vai ficar aberto assim? Podia fechar”, peguntou ele a um dos organizadores. Vi isso tudo com atenção redobrada para guardar na mente cada detalhe e nunca mais esquecer. Não estava a trabalho. Não tinha bloco, nem caneta. Existia apenas uma admiração gigante que estava sendo ainda mais semeada.
É certo: os instantes de passagem de som deixaram clara a grandeza do artista, que fez um mini espetáculo – com prazer evidente, vale frisar – para aqueles gatos pingados que já aguardavam ansiosos no gramado do Campo. Mas não foi só isso. Ney é preocupado, é perfeccionista, é respeitoso com o público e sabe do que é capaz de fazer, assim como do magnetismo que possui. O palco é dele. Ele instiga quem o vê de coração aberto, disposto a deixar de lado o preconceito imediatista e errôneo. É arte verdadeira, limpa, pura e feita por um mestre das artes. Ele interpreta, canta, dança e caçoa daqueles que o veem como simples estereótipo. Não é. Trata-se de intérprete singular, com potencial, diria eu, o fã, inigualável neste País, para não dizer em boa parte do mundo. O show elucidou bem isso e fez até os menos conhecidos da arte de Matogrosso saírem boquiabertos e ensaiarem lágrimas diante de cada agudo e movimento.
Arquivado em FALATÓRIO, JORNALISMO
Não sei vocês, mas eu sou incapaz de viver sem inspiração. É o meu combustível. Sem amor, sem vontade, sem leveza, sem motivo, sem sorrisos, sem rumo, sem pessoas, sem prazer, sem isso é impossível. Daí a inquietude que me consome.
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