Fui o primeiro a ver Ney em cima do palco em Pirenópolis. Eram 18h30, final de tarde, – lindo, por sinal -, quando ele surgiu com sua magreza e calvície lá no alto. Estavam no gramado do Campo das Cavalhadas algumas pessoas. Dentre elas, eu, Taynara Borges e Tainá Borela. Estas conversavam sobre coisas várias, enquanto eu estacionava por cinco segundos o olhar naquele homem até assegurar que de fato era ele. Foi rápida a percepção. Reconhecimento milimétrico, feito por um fã que só se deslocou até a charmosa Piri para ver o ídolo. Só não esperava que tudo começaria ali, tão cedo, tão perto e tão para mim. O show estava marcado para começar às 20h30. Fui andando em direção ao palco, as meninas vieram atrás. Olhos arregalados, sorrisos de ponta a ponta e um êxtase total que consumiu todos desde então e não se desgrudou até o fim da noite, quando ainda depois do show comentaríamos sobre aquela performance, segurança, presença, voz, destemor e interpretação.
Ney havia surgido no palco àquela hora para reconhecer o local e fazer a passagem de som. De repente ele começou a cantar e o arrepio nos consumiu desde o tornozelo, porque era tudo inacreditável. Foram três músicas e meia de Ney olhando nos nossos olhos, – piscando, inclusive – e interpretando como se estivesse no show, com figurino, luzes e mar de gente a frente, mas não. Havia pássaros no alto da estrutura de ferro: “Olha eles aí”, disse. Havia grama no chão do palco: “Parece que cavalgaram aqui em cima. Muita grama”, reclamou com humor. Havia a pouca distância da grade de proteção: “É só isso? Podia chegar mais para frente”. E havia ainda um vento que o incomodava, vindo da lateral: “Isso vai ficar aberto assim? Podia fechar”, peguntou ele a um dos organizadores. Vi isso tudo com atenção redobrada para guardar na mente cada detalhe e nunca mais esquecer. Não estava a trabalho. Não tinha bloco, nem caneta. Existia apenas uma admiração gigante que estava sendo ainda mais semeada.
É certo: os instantes de passagem de som deixaram clara a grandeza do artista, que fez um mini espetáculo – com prazer evidente, vale frisar – para aqueles gatos pingados que já aguardavam ansiosos no gramado do Campo. Mas não foi só isso. Ney é preocupado, é perfeccionista, é respeitoso com o público e sabe do que é capaz de fazer, assim como do magnetismo que possui. O palco é dele. Ele instiga quem o vê de coração aberto, disposto a deixar de lado o preconceito imediatista e errôneo. É arte verdadeira, limpa, pura e feita por um mestre das artes. Ele interpreta, canta, dança e caçoa daqueles que o veem como simples estereótipo. Não é. Trata-se de intérprete singular, com potencial, diria eu, o fã, inigualável neste País, para não dizer em boa parte do mundo. O show elucidou bem isso e fez até os menos conhecidos da arte de Matogrosso saírem boquiabertos e ensaiarem lágrimas diante de cada agudo e movimento.


Cara. O que dizer sobre esse texto?
Sensacional.
Traduziu, um pouco, do fã que sou do Ney.
Um fã que infelizmente não foi ver o ídolo.
Mas que conseguiu visualizar ao menos um pouco de tudo o que aconteceu lá. Quando li suas belas palavras, pareceu que estive lá também.
Parabéns, Galtiery!!!