Cantei muito no Rio. Impossível não se render à lembrança que cada esquina e paisagem traz. Cidade tantas vezes musicada e citada em versos dos grandes e maiores deste País, resta-nos cantarolar as menções, quando presentes de seus substantivos. Eis que me dei conta de tal hábito já no primeiro dia. As músicas saíam involuntárias, sem esforço e logo concluí que o primeiro post sobre a cidade maravilhosa aqui no blog seria este: sobre o Rio e seus recortes sonoros.
No avião, antes de pousar no Santos Dumont e vendo o sambódromo do alto, cantei:
“Será que eu serei o dono dessa festa? O rei, no meio de uma gente tão modesta? Eu vim descendo a serra, cheio de euforia para desfilar…”
No avião, também antes de pousar, o comandante informou: “Bem vindos ao Rio. Clima estável e temperatura de 25°C”. Ou seja, deu a deixa para eu começar:
“Rio 40º, cidade maravilha purgatório, da beleza e do caos…”
Já no táxi, a caminho de Copacabana, ensaiei alguns trechos:
“E já sei por onde começar. Um bom lugar para encontrar: Copacabana…”
Minutos depois, estaria a andar pela orla de Copa, onde fiquei hospedado. Já estava lotada de turistas ansiosos pelo dia seguinte, quando os fogos tomariam conta daquele céu. Ao ver o mar, logo ali adiante, restou-me mais uma vez cantar:
“Copacabana, princesinha do mar. Pelas manhãs tu és a vida a cantar…”
No último dia do ano, tudo se resumiu em preparativos e praia, pois o Sol apareceu lindão e sorrindo para todos. Naquela ânsia para que o tempo passasse lentamente, pois eu queria o máximo possível de Rio, tentei aproveitar cada segundo. Passei o dia tomando sol, o que provocou, ao fim, uma insolação nada legal. Resumindo: fiquei um pimentão. Fiquei vermelho, mas ouvi o barulho do mar, que cantava sozinho neste momento, sem minha participação e fazendo jus às palavras de Drummond, cuja estátua estava a poucos metros no mundialmente conhecido calçadão de Copa. Era a paz reinando:
A paz reinou de tal forma, que com aquela paisagem e sincronia de montanhas com água do mar, prédios e asfalto, não houve espaço para dúvidas. A música era uma só:
“Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil…”
E as pessoas? Para elas, também cantei. E foram três, uma atrás da outra:
1º – “Cariocas são bonitos, cariocas são bacanas, cariocas são sacanas…”
2º – “Menino do Rio, calor que provoca arrepio…”
3º – “Ela é carioca, ela é carioca, basta o jeitinho dela andar…”
Pós virada, marcada por queima de fogos indescritível, muuuuita gente (mais de 2 milhões de pessoas), muito aperto e nem por isso pior a experiência, pelo contrário, foi tudo lindo, o dia seguinte foi de passeio. Depois de ir ao Leblon, refrescar-me em cenário Manuel Carlesco, se é que me entendem, fui ao Cristo encontrar-me com Taynara, Luana, Marina e Cecília, a guatemalteca mais legal que eu conheço. haha Novamente, três músicas se fizeram presentes:
No Leblon, ao estilo Laços de Família, a novela, rs:
“E eu que era triste, descrente desse mundo, ao encontrar você eu conheci o que é felicidade meu amor”
“Vou te contar, os olhos já não podem ver coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo o amor…”
No Cristo, entoados pela mulata e figuraça Cristiane, que animou o trem até chegarmos lá no alto, a trilha foi:
“Vejam essa maravilha de cenário: é um episódio relicário, que o artista, num sonho genial, escolheu para este carnaval.”
Sim, esta última música não é só do Rio, eu sei. Fala do Brasil como um todo, mas a sensação ao ver a cidade lá de cima, aos pés de Cristo, era a de respirar e sentir um Brasil mais próximo. Foi isso. Rio é isso. Vim embora com esse sentimento. Quero voltar, cidade maravilhosa. Você continua linda. Aquele abraço!
O que faz com que eu pense em algo Você dirá “Ele não está dizendo nada de novo, à a associaà ão de idà ias”.