O sentimento é simples. Mesmo aquele de confusão ou indecisão que assola a sensibilidade vez ou outra. Não adianta querer agarrar-se ao dicionário na procura da palavra que melhor se encaixe ou se esforçar por neologismos qualquer. Aliás, para quê palavras? Por que essa necessidade de tentar verbalizar tudo, quando se existem diversas outras formas de expressar e compreender? O tempo é rei, já teria dito algum poeta que não lembro qual. O talzinho disse assim mesmo, em frase direta, com sujeito simples, predicado também simples e um verbo simplório, no presente e generalizante. Afinal, o tempo não poderia ser rei a todo instante, mas é. Só ele para nos mostrar como deve ser, como deveria ter sido e nos dar o direito de cogitar possibilidades sobre o como será. A bula do sentimento, este remédio-cólera, que por vezes alimenta o sorriso, noutras fundamenta o franzir preocupado ou raivoso da testa, é mais singular ainda, no sentido de uma única dica, um único conselho: Ter um amor, ter um único amor, ter uma pessoa, ter uma única pessoa podem parecer circunstâncias vulneráveis demais para o ser humano, esta figura passível de sentimentalismo. Não existe outra saída senão – e esta é a melhor e mais plausível para um bon vivant – o permitir-se sentir desenfreada e sem cabresto. Não tem o que dizer, pensar ou complicar.
Não precisa saber, ela vai te acometer quando menos esperar. Alguns – a maioria – são pegos de surpresa, na flor da idade até… Isso não quer dizer que você seja incapaz de se livrar dela. Existem pessoas – alguns desocupados, claro – que conseguem viver uma vida inteira sem saber do que se trata, mas até a falta do que fazer pode virar rotina. E para entender as consequências disso é preciso ler o tópico seguinte.
Funções:
A rotina sabe bem a que veio. Ela entendeu o recado e faz parte do seu dia a dia para cumprir funções bem delimitadas. São elas: estressar, atolar a vida, frustrar, tornar tudo cinza, quando exagerada, cansar de um jeito que não lhe resta disposição para ir até a geladeira procurar o que comer, fazer-te arrancar os cabelos, fazer-te esquecer da vaidade por alguns instantes e tornar-te controverso, ao ponto de lhe fazer indiferente a tudo e todos, porém, ao mesmo tempo, carente, ansioso e faminto por mudanças. Mudanças boas, claro.
Solução:
Ser sábio, paciente, relacionar-se bem com ela, manter a calma e não perder a esperança que o melhor sempre está por vir e nunca já passou.
No Rio de Janeiro em uma mesa de bar, com vista para o mar de Copacabana, deparei-me mais uma vez com situação recorrente e que me desanima de acreditar nas pessoas. O rapaz, melhor, o homem foi caçoado pelos amigos por ter marcado o primeiro encontro com a menina que está gostando em um show do Ney Matogrosso, na Lapa. E o motivo único da gozação foi: Ney é gay, bichona, como chegou a dizer uma das mulheres do grupo. Então, depois disso, desisti de tudo, inclusive de argumentar, quase de viver, mas preferi abstrair o momento. Ponto!
Penso que nem Jesus na causa, resolve. rs Foto tirada na visita ao Cristo Redentor
Cantei muito no Rio. Impossível não se render à lembrança que cada esquina e paisagem traz. Cidade tantas vezes musicada e citada em versos dos grandes e maiores deste País, resta-nos cantarolar as menções, quando presentes de seus substantivos. Eis que me dei conta de tal hábito já no primeiro dia. As músicas saíam involuntárias, sem esforço e logo concluí que o primeiro post sobre a cidade maravilhosa aqui no blog seria este: sobre o Rio e seus recortes sonoros.
No avião, antes de pousar no Santos Dumont e vendo o sambódromo do alto, cantei:
“Será que eu serei o dono dessa festa? O rei, no meio de uma gente tão modesta? Eu vim descendo a serra, cheio de euforia para desfilar…”
No avião, também antes de pousar, o comandante informou: “Bem vindos ao Rio. Clima estável e temperatura de 25°C”. Ou seja, deu a deixa para eu começar:
“Rio 40º, cidade maravilha purgatório, da beleza e do caos…”
Já no táxi, a caminho de Copacabana, ensaiei alguns trechos:
“E já sei por onde começar. Um bom lugar para encontrar: Copacabana…”
Minutos depois, estaria a andar pela orla de Copa, onde fiquei hospedado. Já estava lotada de turistas ansiosos pelo dia seguinte, quando os fogos tomariam conta daquele céu. Ao ver o mar, logo ali adiante, restou-me mais uma vez cantar:
“Copacabana, princesinha do mar. Pelas manhãs tu és a vida a cantar…”
No último dia do ano, tudo se resumiu em preparativos e praia, pois o Sol apareceu lindão e sorrindo para todos. Naquela ânsia para que o tempo passasse lentamente, pois eu queria o máximo possível de Rio, tentei aproveitar cada segundo. Passei o dia tomando sol, o que provocou, ao fim, uma insolação nada legal. Resumindo: fiquei um pimentão. Fiquei vermelho, mas ouvi o barulho do mar, que cantava sozinho neste momento, sem minha participação e fazendo jus às palavras de Drummond, cuja estátua estava a poucos metros no mundialmente conhecido calçadão de Copa. Era a paz reinando:
A paz reinou de tal forma, que com aquela paisagem e sincronia de montanhas com água do mar, prédios e asfalto, não houve espaço para dúvidas. A música era uma só:
“Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil…”
E as pessoas? Para elas, também cantei. E foram três, uma atrás da outra:
1º – “Cariocas são bonitos, cariocas são bacanas, cariocas são sacanas…”
2º – “Menino do Rio, calor que provoca arrepio…”
3º – “Ela é carioca, ela é carioca, basta o jeitinho dela andar…”
Pós virada, marcada por queima de fogos indescritível, muuuuita gente (mais de 2 milhões de pessoas), muito aperto e nem por isso pior a experiência, pelo contrário, foi tudo lindo, o dia seguinte foi de passeio. Depois de ir ao Leblon, refrescar-me em cenário Manuel Carlesco, se é que me entendem, fui ao Cristo encontrar-me com Taynara, Luana, Marina e Cecília, a guatemalteca mais legal que eu conheço. haha Novamente, três músicas se fizeram presentes:
No Leblon, ao estilo Laços de Família, a novela, rs:
“E eu que era triste, descrente desse mundo, ao encontrar você eu conheci o que é felicidade meu amor”
“Vou te contar, os olhos já não podem ver coisas que só o coração pode entender. Fundamental é mesmo o amor…”
No Cristo, entoados pela mulata e figuraça Cristiane, que animou o trem até chegarmos lá no alto, a trilha foi:
“Vejam essa maravilha de cenário: é um episódio relicário, que o artista, num sonho genial, escolheu para este carnaval.”
Sim, esta última música não é só do Rio, eu sei. Fala do Brasil como um todo, mas a sensação ao ver a cidade lá de cima, aos pés de Cristo, era a de respirar e sentir um Brasil mais próximo. Foi isso. Rio é isso. Vim embora com esse sentimento. Quero voltar, cidade maravilhosa. Você continua linda. Aquele abraço!
Todos os dias eu abro o Word e tento. Já cheguei a fazer uma frase com ponto final e tudo, mas nunca passei disso. Para piorar, isso já tem tempo e nem lembro mais qual era. Esqueci. Noutras vezes ensaiei palavras. Várias até, que de tão aleatórias estão confusas na mente. Misturadas e obtusas. Esse é o reflexo de um sentimento persistente e que tortura. Só sei que ele existe, pois sinto, mas não sei descreve-lo. As tentativas vãs sempre surgem em momentos críticos. Instantes de pulsão e sufoco, que pairam sob a pele, somente. Enquanto isso, a tela branca esperando para ser preenchida de semântica, morfologia e verbo, porque a vontade é agir, agir e agir, estrangula os miolos restantes. Ainda vou conseguir. Ainda vou escrever o texto completo, falando tudo que tenho vontade e do jeito exato, com as palavras certas. Sina!
São 23h52. A inspiração surgiu há 10 minutos. Surgiu, no entanto, incapaz de me fazer escrever além dessa descrição chinfrim. E tem sido assim há algum tempo. Tem faltado amor recíproco nos trópicos além desta carne. A afeição demonstrada, até então, por outros tantos tem sido carnal e se restringido à superfície, somente. Sou romântico e idealista, porque meu maior ideal é o amor. Ganha inclusive do profissional, contrariando a astrologia e a numerologia numa tacada só. Sem contar a impressão alheia, que insiste em me ter frio, mau-humorado, profissional esforçado e focado. Não adianta, só eu e você somos capazes e temos o direito de falarmos sobre a melhor parte de nós mesmos. Só nós a experimentamos em suma na solidão, porque é nela que o sentimento se torna palpável. É é isso agora, neste instante.
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status: gacta me liga em agosto tem balada. 9 hours ago
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