Arquivo do mês: setembro 2009

Olimpíadas 2016, disputa, diplomacia e futuro

A disputa pela sede dos jogos olímpicos de 2016 está um tanto quanto bizarra e divertida, mas isso se restringe apenas ao primeiro olhar. Depois de analisada a situação e posteriormente relacionada com outros fatos, nota-se a presença de interesses maiores e a inclusão no esporte de elementos políticos e econômicos que culminam em embates teoricamente informais.

O site canadense Games Bids, especializado na cobertura das candidaturas olímpicas, faz uma avaliação de cada concorrente e, conseqüentemente, promove uma classificação que demonstra a situação e as chances de cada uma. O Rio de Janeiro despontou na frente e abriu uma margem confortável em relação às demais candidatas – Chicago, Tóquio e Madri. Não satisfeitos com a situação, os americanos trataram logo de agir e Obama, protagonista-mor de toda e qualquer relação hoje em dia, decidiu passear em Copenhagen e sentir de perto o ambiente para o anúncio na sexta-feira.

Especialistas vêem a visita do presidente norte-americano como um significativo passo de Chicago, uma vez que as duas últimas eleições (Pequim – 2008 e Londres – 2012) foram decididas basicamente em conversações entre líderes de estado e delegados votantes do Comitê Olímpico Internacional (COI). A presença de Barack já reflete nos rankings espalhados pela internet. No Games Bids a cidade americana teve leve aumento e se aproximou do Rio de Janeiro.

O prefeito de Madri já disparou que não teme a participação de Obama e que é bom para dar mais emoção. Orlando Silva, ministro brasileiro dos esportes salienta que a presença do líder americano apenas valorizará a vitória do Rio. Entre declarações e especulações os bastidores urgem em conversas e negociações. O presidente Lula revelou nessa segunda-feira que enviou cartas para todos os votantes e membros do COI. Na quarta ele viaja para a Dinamarca a fim de integrar a comissão brasileira e conferir de perto o final desse episódio.

Como se não bastasse, há ainda o embate entre celebridades. Um dos quesitos do site Games Bids para avaliar as chances de cada cidade é a sua presença constante na mídia, e para quê mais burburinho do que a participação de famosos e esportistas renomados? Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, ao saber da participação de Obama fez questão de agir costumeiramente. Declarou, portanto, que o Brasil possui Lula e Pelé, e que ganharia de 2 a 1 dos norte-americanos.

Fora isso, a apresentadora Oprah Winfrey promete marcar presença na cerimônia de anúncio na sexta. Ela é popular ao redor do mundo com seus talk-shows na TV americana e os membros da Comissão de Chicago vêem nela um reforço interessante. Ela desembarca na manhã de quarta em Copenhagen junto da amiga Michelle Obama, que já declarou em tom de brincadeira estar pronta para a briga com a primeira-dama brasileira Marisa Letícia.

Madri e Tóquio correm a espreita dessa disputa bilateral entre Brasil e EUA, mesmo com a confiança e com a crença de que surpresas podem vir. Contudo, entre defesas, investimentos e muito lobby essa disputa ilustra um comportamento que não se restringe a conquista de sede das olimpíadas. Como tudo em política internacional, os interesses são maiores e mais camuflados.

Há tempos que o governo americano demonstra certa preocupação com o destaque brasileiro ao redor do mundo. Embora Barack Obama tenha dito que Lula é o cara no primeiro encontro dos dois face a face, tudo não passa da famosa estratégia dos “tapas com luvas de algodão”. Não é interessante para o país de Obama perder a simpatia do governo brasileiro, mas também não é confortável o avanço da representatividade do nosso país dentro da América Latina, que é um antigo e fiel parceiro econômico dos americanos.

Além disso, Lula desponta como mais um exemplo de político protagonista que tem em suas falas e discursos certa ilustração de representatividade e relevância para o resto do mundo. A sua participação na última Assembléia Geral da ONU demonstrou claramente que ele está seguro desse patamar e pôs-se, então, a conclamar os demais líderes presentes a agirem na direção de uma nova ordem econômica: a multilateralidade. Propôs a organização e os acordos regionais como forma de reforçar a economia e como uma solução para dependências e relações bilaterais que comprometem o desenvolvimento.

Sem mais meias palavras, as Olimpíadas podem representar o fechamento de um ciclo para o Brasil. A Copa do Mundo em 2014 e os consecutivos jogos em 2016 clarearão de fato a visão do planeta e nos colocarão em destaque em todos os sentidos. Pode ser a glória dessa guinada desenvolvimentista, e em um futuro não muito distante, logo após os dois eventos, o Brasil pode se tornar, verdadeiramente, um país desenvolvido e uma potência não só regional, vide a influência em muitos países da África. É um desafio que colocará a prova a nossa eficiência, e se dermos bem podem ter certeza do quão significativo tudo isso será.  Só na sexta-feira para sabermos, enfim, o quão valorosos foram os engajamentos e esforços de todas as partes.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em JORNALISMO

120 anos de cores e demais sentidos

Cora Coralina é tema de exposição em museu paulista


É preciso tempo para falar de Cora. Ela é do tipo de pessoa que concebe a vida como a maior riqueza que alguém pode possuir e, assim, fez da própria a sua maior inspiração. Os versos simples, aparentemente fáceis e sem esforço são, sobretudo, carregados e densos tal qual a vida da poetisa. Ela fala de ouro, de pedras, rios, infância, casa, cores e coração. Tudo real, presente e empírico. São nessas características que muitos se apegam ao falar que pouca importância tem seus poemas e sonetos. Dizem às mil esquinas que tudo é desmerecido de tamanho reconhecimento, que não há complexidade, originalidade, tampouco, arte.

A simplicidade é a prova máxima de que somos errados dia-a-dia. Somos insistentes e burros, Cora Coralina não. Seus poemas são violentos tapas consecutivos no excesso, na incompreensão e na especulação. Ela jamais brincou. Ela fez. Fez-se séria, fez-se presente e foi dessa atuação que ela retirou toda a sua certeza sobre a vida. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu e mostra para os menos imediatos como é que se faz. Ela nasceu em 20 de agosto de 1889 na antiga capital de Goiás. Este ano comemora-se os 120 anos da eterna jovem que faleceu em Goiânia no dia 10 de abril de 1985, com 95 anos de idade.

Há mais de um século Goiás ganhava, portanto, a protagonista de sua personificação. Cora elevou a cultura goiana e mais do que ninguém soube como descrevê-la. Somos tomados constantemente por certa confusão de haver ou não de fato um comportamento inerente que possa caracterizar-nos. Tem os que dizem que Goiás é o primo pobre de Minas Gerais. Realmente as culturas de um e de outro são muito próximas, mas a Aninha da ponte foi incisiva em suas defesas. Mais do que descrições e lampejos subjetivos, seus versos são porta-vozes, são advogados corajosos e eloqüentes.

Coralina ilustra o Goiás vigente em sua época e o que permanece ainda hoje. Ela soube detectar os elementos que resumem, ou melhor, que explicam claramente como somos. Somos goianos, somos Cora. Ela carrega a cor em seu nome e sobrenome artísticos, e bem soube como transpor essa posse de forma que tudo tornasse menos obscuro e engessado. Cor-a Cor-alina se divertiu com tudo o que lhe foi oferecido e em troca ao mundo, ao seu povo e ao seu lugar deixou-nos a tranqüilidade da sobriedade e da razão permissiva de quem sabe o que fala e de quem, mais do que isso, sabe como falar.

Somos conscientes quando lidamos com a complexidade e detectamos no princípio a existência de pouca ou nenhuma intenção e essência, coisas que Aninha tinha de sobra. Não é preciso falar francês, alemão ou árabe para ser bacana e aclamado pela crítica. Cora nem sabia da existência de gente dessa classe. Ela fala (verbo no presente porque o poeta vai, mas a obra fica) o português bem claro e compreendido, e fala com estilo. Ela fala um goianês inteligente, esperto, cheio de rima, sentidos fortes, cheiros e paladares. É assim que ela, ainda, encanta aos que tem contato com seus poemas.

Como parte da comemoração de seus 120 anos, o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo inaugura hoje uma exposição em sua homenagem. A mostra “Cora Coralina – Coração do Brasil” ficará exposta até janeiro. Os organizadores se empenharam em levar para um espaço limitado tudo o que fosse mais ilustrativo e capaz de permitir a sensação real e mais próxima do que foi e ainda é o ambiente coraliniano, uma vez que sua casa é aberta a visitações na Cidade de Goiás. O museu fica na Praça da Luz, centro da cidade. Os horários são das 10 às 17h. Será cobrada uma quantia simbólica que com certeza será mais que justificada após o conhecimento de tamanha sensibilidade.

Fique, enfim, com um pouco da amiga, irmã, mãe, avó, bisavó de todos nós, já que ela encanta a todas as gerações de goianos e, não obstante, de brasileiros.

3 Comentários

Arquivado em FALATÓRIO, JORNALISMO

O adeus dos prolixos

Genial esse vídeo em que o cara é obrigado a falar tudo em apenas 140 caracteres. É uma paródia que brinca com a forma como as pessoas se comunicam no site de relacionamentos twitter e demonstra claramente como funciona essa nova tendência que se amplia a cada dia e conquista novos adeptos. Não deixa de ser uma crítica e tampouco uma reflexão de como o comportamento da sociedade é ditado por modismos mesmo sabendo que estes, geralmente, são passageiros e fulgazes. Claro, não foi deixada de lado a maneira como a limitação pode prejudicar a clareza ao se comunicar. Afora isso é pertinente destacar que dado o avanço e a onipresença das twittadas, que podem ser efetuadas pelos celulares de qualquer lugar e a qualquer instante, automaticamente é possível fazer uma analogia com a usual comunicação direta da vida real. Talvez essa nova atitude esteja ultrapassando de fato os limites do ciberespaço.

Deixe um comentário

Arquivado em FALATÓRIO

KILLING TIME – Daniela Edburg

Site .

Deixe um comentário

Arquivado em IMAGEM

Ih, rapaz! Winehouse virou empresária

Até então, éramos acostumados com a redenção apenas no esporte. Os atletas se machucam, ficam um certo tempo parados, tem os que se entretém com outras opções da vida (mulheres, baladas, bebidas, travestis e comida – vide Ronaldo Fenômeno), viram alvo de descrédito e julgamentos de críticos, jornalistas e pessoas em geral, e de repente retornam com uma determinação exemplar, demonstram garra e deixam claro que talento não se perde em 30 ou 60 dias. Ele permanece.

O mundo da música está roubando essa característica. Os astros também se deixam levar pela constante pressão de um mercado concorridíssimo e que afetam seus egos. Começam a presentear a mídia do entretenimento com escândalos diários como se isso fosse o hobby mais prazeroso. Saem bêbados, drogados e agridem os paparazzi. Suas vidas são invadidas e se tornam mercadorias desse novo comportamento jornalístico.

Talvez o que prepondera nas duas situações seja a cobrança. A cantora inglesa Amy Winehouse, assim que surgiu, de imediato despertou os olhares do mundo para o seu talento. Foi aclamada. Fez um dos discos mais marcantes da música recente. A branca com voz negra deixou o status de promessa para virar fato, mas isso durou por pouco tempo.

Amy Winehouse em participação especial no show da banda The Specials. V Festival, agosto deste ano.

Amy Winehouse em participação surpresa no show da banda The Specials. V Festival, agosto deste ano.

A moça alimentou os tablóides ingleses durante muitos e longos meses. Perdeu o seu grande amor, se auto-definhou publicamente e a cada tentativa de retornar aos palcos era aquele fiasco. Ninguém acreditava e, ainda, tem os que não acreditam mais na música da cantora.

Pois bem. Passado algum tempo no Caribe, em exílio social e profissional, a inglesa promete um retorno. Amy em conjunto com o produtor Mark Ronson lançaram ontem, dia 21, o selo de uma nova gravadora, Lioness Records. Segundo ela a nova empreitada foi inspirada na famosa Motown Records. O primeiro lançamento será um disco da afilhada de 13 anos de Winehouse, Dionne Bromfield. A cantora assegura e avaliza o talento da garota.

Afora isso, Amy retorna aos estúdios para preparar o sucessor de seu álbum Back to Black, de 2006. Não é a primeira vez que se fala nisso. Desde que a moça encerrou sua turnê referente ao mesmo disco, os boatos são fervorosos. Contudo, a expectativa maior é sobre o produto final. Como seria esse novo trabalho? Ela se caracteriza pelas composições auto-biográficas e isso, consequentemente, desperta a curiosidade não só da crítica como dos fãs. Esperar pra ver, mas o essencial dessa espera é a possibilidade de mais um excelente disco, de mais polêmicas e de mais história ao vivo da música mundial.

______________________________________

Saca só o talento da afilhada de Amy. O primeiro disco da garota será composto por covers de canções da época da Motown.

Deixe um comentário

Arquivado em FALATÓRIO, JORNALISMO

Dia Mundial Sem Carro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Já não se trata apenas de uma realidade do eixo Rio-São Paulo

GOIÂNIA DEVERIA ENTRAR NESSA!

Deixe um comentário

Arquivado em FALATÓRIO

“11 de setembro” por um novo ângulo

A Nasa divulgou uma nova imagem dos ataques terroristas aos Estados Unidos em 2001. A foto retrata a visão que Frank Culbertson, autor do registro, testemunhou direto da Estação Espacial Internacional.

Deixe um comentário

Arquivado em IMAGEM, JORNALISMO