Arquivo do mês: novembro 2009

E Lula chorou …

… TAKE EASY!

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Brasil – país do futebol, da militância esportiva e da diplomacia

Conversas de buteco sempre são proveitosas. Ontem saí com dois monstros sagrados do jornalismo esportivo em Goiás – Fernando Vasconcelos e Thiago Rabelo. Em determinada parte da conversa (quase que em sua totalidade) falamos sobre futebol, o acesso do Atlético-GO à Série A e, claro, dos rebaixados para a Série C.

Conversa vai, conversa vem, Fernando citou uma tentativa de invasão dos torcedores indignados de alguns clubes aos seus respectivos Centros de Treinamento, e a conclusão foi inevitável: no Brasil, as pessoas se articulam com uma habilidade invejável quando o assunto é futebol. Se tivessem que reunir e organizarem um protesto por conta de alguma roubalheira, ato de corrupção ou qualquer outro motivo, talvez não fosse possível.

Sei que na história deste país, alguns fatos só se resolveram quando a população foi às ruas para exigir mudanças. “Diretas Já” é um exemplo disso. Não condeno o fanatismo esportivo ou futebolístico. É bonito, tem sentido e, principalmente, uma subjetividade, que eu por não ser torcedor fervoroso de nenhum clube, não consigo explicar. E só por não ter essa capacidade, já o acho digno e memorável.

Fala-se muito na alienação da sociedade brasileira. Ao comparar o Brasil com os demais países da América Latina, vemos que falta, de fato, um pouco de engajamento social e político. Quando falo da disposição dos torcedores em lutar pela melhoria dos clubes, em se organizarem e ir para a frente de batalha protestar, e se preciso, invadir, me pergunto o porquê de isso não ocorrer em outras questões tão essenciais quanto. A resposta pode ser imediata: estou falando do país do futebol, portanto… Mas isto não justifica.

Hoje, ironicamente, rondando pela internet me deparei com a palavra “protesto” nos sites de notícia. Enfim, nada normal quando se trata de Brasil, principalmente, uma ação organizada e planejada. Dessa vez, a comunidade judaica, em conjunto com espíritas e homossexuais, promoveu ato no Rio de Janeiro contra a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao país.

Todos sabem do quão polêmico são os atos do governo do Irã. Como se não bastasse o radicalismo, sua falas passaram a ter mais peso e temor ao resto do planeta, quando se descobriu o domínio da tecnologia nuclear utilizada com intenção bélica. Agora, Lula se engraça mais uma vez na diplomacia e levanta questionamento do real objetivo de sua atitude.

O governo do PT, entre altos e baixos, pode-se dizer que foi um governo produtivo no que diz respeito às relações diplomáticas. Frente à tendência multilateral no mundo hoje, em que os mercados e economias alternativas surgem como opção interessante para burlar crises e variar a presença de qualquer país  ao redor do mundo, o Itamaraty demonstra claramente como deve ser feito esse jogo político, que brinca, constantemente, em campo minado.

O Brasil luta por uma posição no Conselho de Segurança da ONU. Nesse sentido, auxiliar em questões como a de Honduras, aumentar a sua representatividade na América Latina e fortificar a economia são etapas cruciais. Só que agora a ação se expandiu. Ao lidar com os países do Oriente Médio, deve-se ter um tato aguçado e estar preparado para lidar com algo, no mínimo, melindroso.

Uma das tensões mais minadas do mundo é a que se dá entre palestinos e israelenses. E onde Lula foi se meter? Justamente nela, a questão, senão a mais, uma das mais complicadas do planeta. São anos de negociação e tentativas de acordos de paz. O “Lulinha paz e amor”, com toda a sua simpatia, sorriso farto de dentes e mão carente de um dedo, caiu de pára-quedas na situação. Mas caiu com uma mochila lotada de interesses e intenções camufladas.

Tudo isso faz parte do jogo político e nós, cujo bem maior, talvez seja o futebol, o colocamos no meio dessa jogatina. O mesmo Lula disparou a intenção de promover jogos amistosos da seleção brasileira com as seleções de Israel e Palestina. “Se derem colher de chá, até eu posso jogar de centroavante”, completou. “E se acontecer, será uma coisa muito importante”.

Ou seja, no final das contas, usamos nossa arma-mor – o talento futebolístico – conhecido e reconhecido por todos, para encararmos de frente a guerra da política internacional. É uma guerra velada, indireta, mas que se dá nos bastidores, na influência, na troca de favores, na boa vizinhança, na média e no puxa-saquismo.

Não é difícil concluir, portanto, que a militância futebolística tem sua aura e que o Brasil é representado lá fora, justamente, pelo futebol, que age de maneira favorável na diplomacia (vimos isso no Haiti anos atrás). Talvez, ele tenha sua importância justificada. Os protestos e a disposição da torcida em lutar pelos seus interesses torna-se compreensível. Não estamos falando, portanto, de qualquer coisa. Estamos falando de futebol! Seria essa a nossa bomba atômica contra o mundo? Mas não falo de uma bomba de destruição, e sim de disseminação da tendência, do comportamento, das idéias e da cultura brasileira. Quanto ao engajamento em outros assuntos, é algo a ser pensado. A nossa criatividade precisa ser canalizada, também, para as demais situações.

eee repito: as conversas de buteco são proveitosas!

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“Follow me, follow me, follow me”

A experiência de fazer um twitter

Até então eu era um crítico fervoroso do twitter. Falava aos quatro ventos que isso é coisa de  imbecil, que não tem o que fazer e prefere gastar o seu tempo seguindo gente que nunca viu na vida ou lançar frases baratas que tenham menos de 140 caracteres. Só que o twitter é tudo isso e mais um pouco.

Ontem era quase 11h da noite, quando decidi fazer um perfil no dito cujo. Pegunte-me o porquê e eu te darei mil e uma explicações, muitas delas hipotéticas e especulativas, mas o certo mesmo é que de tanto criticar, pintou uma curiosidade. Amigos de faculdade, do dia a dia, veículos de comunicação, jornalistas, celebridades, bandas de música, grandes ídolos, todos estão lá.

Sou meio conservador quanto às novidades, às mudanças bruscas ou coisas do tipo. O twitter impõe um comportamento e ilustra como a internet e seus elementos são capazes de interferir na rotina das pessoas. Definitivamente, em função da crescente adesão e da maneira como veicula informação, a sua importância se cristaliza a cada dia e fica menos questionável.

Um exemplo disso são os perfis de políticos, que fazem uso das possibilidades oferecidas por mais essa rede social para transmitirem suas idéias e, principalmente, se promoverem. Em 2010, quando será disputado os cargos de presidente, governador, deputados e senador, a briga pelo maior número de seguidores, que já se acirra um ano antes, será no mínimo divertida. As eleições se darão, também, no ciberespaço.

Posto isto, como se não bastasse a curiosidade e o avanço da onipresença do twitter nas relações em geral, nas rodas de conversa e, até mesmo, nos jornais, já que muito furo jornalístico surge a partir dele, sofri também a pressão de alguns colegas. “Faz! Faz! Faz!” Fiz. Fui lá, configurei, coloquei foto, nome (descobri que já existia um Galtiery) e alguns dados. Escolhi o fundo, experimentei vários. Optei por algumas cores e dei minha primeira tuitada: “16/11/09 – 22h41min: tenho um twitter!” Tem coisa mais de perdedor do que isso? Rendi-me ao sistema.

Falei um monte, critiquei todos e, agora, cá estou, humanamente, me redimindo e pagando língua. Mas não posso deixar de comentar: ri muito quando vi a pergunta What are you doing? HAHAHA. Tosco! Não sou tão importante assim, ao ponto do que eu estiver fazendo ou não, ser interessante pros demais. Aliás, ninguém é. (Essa é uma tendência que rende um outro post. É uma discussão cabulosa sobre a necessidade que alguns tem de saber o que os outros fazem ou pensam.)

Okay, feito o essencial, corri pra pedir ajuda. Tava no msn e pedi pra um amigo me ensinar como que funcionava o esquema. Ele deu uma explicação breve e bem completa. Salvei a conversa, claro. Mas agora nem preciso mais, depois de 5 tuitadas, já me viro bem por lá. Cheguei na faculdade hoje e dei a notícia pra geral, e todos riram. Depois de tudo qual reação eu deveria esperar? Nenhuma, além dessa.

A grande dúvida era: o que eu vou escrever em um twitter? Não tenho o que dizer. Mas logo depois eu vi que as coisas surgem e que lá, mesmo com as restrições espaciais, cabe qualquer coisa, qualquer discussão, qualquer intenção. Da auto promoção à interatividade, da aproximação com os admiradores à forçassão de amizade, da fuga da realidade a veículo de informação, de mero vício a questões profissionais, tudo convive entre si. Não se resume, apenas, em um habitat de imbecis, e talvez nem o seja. Caso contrário, estaria me afirmando como tal.

Deixei de lado, portanto, a indiferença de outrora e me joguei na inclusão digital. Sou twitteiro agora! Aos que chegaram a ouvir eu falando mal, autorizo curtirem e zoarem com a minha cara. Eu mereço, sei disso. Twitter é bacana, tem o seu lado útil, e pretendo utilizá-lo. Só tenho uma coisa a dizer: Follow me, follow me, follow me!

 

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A Sessão da Tarde tem o seu lado honesto

Assisti, ontem, o filme Thelma & Louise com o pessoal da faculdade. Nós temos de analisá-lo para uma disciplina que fazemos de seminário temático sobre  produções que retratam tendências audiovisuais contemporâneas. Já tinha o visto anteriormente e depois de fazermos uma pré-discussão decidimos vê-lo novamente, e juntos.

Após assisti-lo concluí uma idéia que já havia me lampejado antes: a arte é fantástica e medíocre ao mesmo tempo. O filme de Ridley Scott é uma produção de entrelinhas. Ele fica em aberto no final e deixa o espectador vagar nas mais variadas interpretações. Não vou contar a história, porque penso não ser necessário.

Só queria dizer que, às vezes, os artistas produzem sem intenção alguma, apenas para cumprir um objetivo comercial ou financeiro e nós, membros do público, da platéia, e na condição de contempladores nos sujeitamos a fazer interpretações e viajar em idéias que, talvez, nem o próprio autor da obra imaginasse atingir. Muitos artistas confessam, inclusive, que ao se proporem a fazer arte não sabem, de fato, onde irá terminar ou o resultado que atingirá no final.

Essa característica pode conceder tanto o ar fantástico como o medíocre. A arte, ao mesmo tempo, que funciona como um escapismo, como fuga da realidade, ela está aberta à especulação, à incertezas, à viagens, que assim como o professor Lisandro Nogueira diz, pode culminar em uma típica conversa de salão de beleza. Lidamos o tempo todo com inverdades ao analisar filmes, por exemplo. Na maioria das vezes os superestimamos.

O fato de a obra motivar o pensamento, a reflexão e as analogias desenfreadas é primoroso realmente, mas é extremamente subjetivo. E é nesse momento do desenvolvimento da idéia que eu me pergunto: onde ficam as parcelas de intenção e certeza nessas histórias? Até onde o autor pretendia chegar e se há um lugar em que ele pretendia atingir?

Os roteiros que parecem ser fantásticos para nós, talvez, nem tenham sido planejados para serem assim. Mas depois de começarem a serem filmados, eles acabam tomando outros rumos, e as decisões são tomadas durante o processo. E é assim que eu penso que o beijo final de Thelma & Louise tenha sido decidido. O diretor, o roteirista, o produtor e os atores decidiram ali, na gravação da última cena. Não sei, ainda, se isso retrata a temática central do filme, e sei muito menos se há um enfoque de fato.

O filme é legal. Susan Sarandon com todo o seu poder de expressão, mais uma vez está excelente. É incrível o seu rosto extremamente cinematográfico e expressivo, e isso ficou evidenciado em função da preponderância dos planos detalhe. Geena Davis faz uma personagem que muda a personalidade no decorrer da história e ela faz isso, também, com muita propriedade.

Como disse é um filme em aberto, cujas entrelinhas, tanto na montagem e intercalação das cenas quanto na história, nos colocam em um espaço que convive tanto a liberdade quanto a repressão de pensamento. Não sabemos até onde podemos ir, já que alguns elementos são obscuros e outros já nos dão a chance de vagar sem limites na imaginação.

Não sei porquê, mas quando assisti com o grupo, pensei comigo mesmo o quanto os filmes da Sessão Tarde são honestos. Não me lembrei de produções qualquer, lembrei daquelas que descaradamente são feitas para acumular dinheiro e cumprir uma intenção financeira. Elas arrastam seus roteiros em continuações, tipo 1, 2, 3, 4, e deixam claro, além de cumprir a função de entretenimento, que são feitas estritamente para corresponderem a essa função.

Brindemos, portanto, a honestidade do Robocop, do Beethoven, do Rambo, da Loucademia de Polícia, do Lagoa Azul, do Macaulay Culkin, do Indiana Jones, do Tarzan, do Exterminador do Futuro, do Duro de Matar e tantos outros. Estes sim lidam com um mínimo de certeza e intenção. Claro que seus enredos são fantásticos, irreais, mas isso entra na questão do entretenimento e do escapismo e, mesmo assim, eles se afirmam como tais.

São produções fáceis. Não exigem raciocínio, esvaziam a mente, agridem a intelectualidade, mas em nenhum momento demonstram querer serem cult, inteligentes ou pragmáticos. E em contra partida se colocam como sinônimo de diversão, lazer, efeitos especiais, irrealidade e tudo o mais. Não fogem da crítica e cumprem a função a que se dispõe. Se são arte mesmo, talvez eu tenha que pensar um pouco mais sobre o caso. Certo é, que fazem parte desse universo vasto de sentidos, visões e sensações, que é o sétimo elemento das produções artísticas: o cinema.

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O Thelma & Louise de Ridley Scott é um bom filme. Não estou o criticando, e sim usando o fato de ser uma obra em aberto à interpretações mil e intencionalidades infinitas para argumentar a honestidade de algumas produções. E, claro, falar sobre a idéia da arte como sendo fantástica e medíocre ao mesmo tempo, em que motiva tanto a reflexão, agindo na realidade, como a subjetividade desenfreada e carregada de inverdades, que foge, totalmente, da sua intenção enquanto produção artística.

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Manuel Bandeira é o melhor poeta deste país e ponto!

A rotina, definitivamente, deixa a vida comedida, comportada, funcionária, purista, política, raquítica, sifilítica …


Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

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Quando estiver à toa …

… vá pro youtube e divirta-se.

Último vício: o programa inglês The X Factor

E só pra confirmar: essa galera sabe como se faz entretenimento.

Nem só de Susan Boyle vive o Reino Unido. Há outras histórias a serem contadas, e histórias fantásticas, acredite!

Eileen Chapman

Jamie Archer

Rozelle Phillip (muuuuito engraçada)

Daryl Markham

Alan Walton e o seu relógio (sem noção)

Nicole Lawrence



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