Arquivo do mês: janeiro 2010

Supra-sumo da rotina

Barulho. É o despertador. Acorda. Pé direito no chão. É mania para começar o dia bem. Lento, caminha. Banho. Ensaboa. Sente a água caindo. Toalha. Enrola-se. Espelho. Olha-se pela primeira vez. Escova os dentes. Roupas. Cueca, calça, camiseta, meia, tênis. Às vezes as primeiras que estão à frente. Tem dias que demora. Por vezes, café rápido, noutras nem isso. Prefere dormir um pouco mais e sacrificar o tempo do café. Porta. Chave. Destranca, tranca. Sai. Corredor. Parede branca, piso bege. Mais corredor. Elevador. Números dos andares. Desce. Portão. Calçada. Preto e branco, as pedras. Esquina. Avenida. Para a esquerda, para a direita. Pronto, pode atravessar. O corpo guia. Já se acostumou ao trajeto. Nada impressiona mais, nem no trabalho. São horas perdidas, mas jamais desligadas. Sempre na voltagem máxima. Chefe, telefone, internet. Primeiras notícias. Apanhado geral. Três ou mais sites e sim: satisfeito. 12h. Meio dia. Almoço. Estômago ronca. Fome. Arroz, feijão, carne, batata, salada, tomate, cenoura. Maioria das vezes assim. Já existem aquelas que se contenta com uma besteira qualquer. Casa, novamente. Internet, novamente. Notícias, novamente. Televisão ligada. Sempre! Necessita de barulho. O silêncio lhe incomoda na correria cotidiana. Doses e doses de dados e fatos. Leads, subleads, fotos, imagens, vídeos, links. Tenta a soneca, mas pode perder com isso. Desiste. Prefere manter-se onde está. Em frente ao mundo. No computador. Gasta o tempo de almoço até o último segundo. Ali! Ajeita-se. Zarpar novamente! Calor. Sol escaldante. Mesmo trajeto de quando acordou. Mesma porta, mesma chave, mesmo corredor, mesmo branco e bege. Calçada. Pisa de tênis e anda. Anda, anda, anda e chega. Ponto de ônibus. 004, 028, 017, 019. Zero Zero Quatro, claro. Acena, ele pára. Entra, sobe escadas, pega o sitpass, passa na catraca. Olha pro fundo e vê que não tem lugar. Já era! Vai em pé. Mais calor. Sinais intermináveis. Tenta se segurar. Sorte que o trajeto é curto. Vai lendo. Não livros, mas os nomes dos comércios. Lê placas, folhetos, avisos de segurança, de aposento reservado. Tudo! Vê flores, árvores, prédios, pinturas estragadas, reformas, construções e mais prédios. Desce. Atravessar, agora, é um desafio. Não há faixa. É sorte. Olha. Esquerda, direita e vem um carro vermelho, não dá. Novamente, caminhão caçamba. Espera mais. Motos, caminhonetes, táxis e, sim, é a hora! Corre. Respira. Alívio. Consegue e chega. Outro trabalho. Estágio. Lê o nome na fachada. Cumprimenta o porteiro. Jornais do dia. Bebedouro. Água. Gelada, de preferência. Refrescou-se. Sobe as escadas, novo corredor. Tapete azul no chão. Sala. Ar, não puro, mas condicionado. Boa tarde! Chega. Senta. Mais um computador. O liga. E-mails, mais notícias, escreve, alimenta site. Dá uma lida nos jornais. Adianta matérias. Recebe ordens. Coisas para fazer vão pipocando. Surgindo. Arquivo-Imprimir-Ok! Quantas cópias? Três cópias. Corrige isto! Olhe aquilo! 6h. Dezoito horas. Expediente encerrado. Nem viu o tempo passar. Não sobra tempo pra isso. Faz o trajeto da chegada. Sentido contrário, agora. Ponto de ônibus. Hora do rush. Carros, ônibus e motos, com suas buzinas. Prata, preto, branco. Só tem essas cores de automóvel. Gente. Fones no ouvido. Apressados. Livros sendo carregados. Bolsas, mochilas, sacolas. E chega. Não em casa, nem em lugar algum. Apenas o Zero Zero Quatro, que pára. Lotado! Aperta-se e esmaga pés em prol do próprio espaço. Todos têm direito. Confere. Chave. Celular. Dinheiro. Nada esquecido. Tudo ali. Segue viagem. Três, quatro pontos depois, e desce. Amarrotado do aperto. Anda, uma, duas, xis quadras. Sinais. Bolinha verde que desce um nível de cada vez. Fica vermelho. Pode atravessar. Na faixa! Mais passos, até o prédio quadriculado de azul e branco. Lar, doce lar! Sente a energia do descanso. Abre o portão. Chama o elevador. Números dos andares. Seleciona o seu: dois. Segundo. Sai e apressa-se. Quem cansa quer casa. Cama? Sentar? Parar? Não. TV, internet, twitter, G1, UOL, IG, blog, Orkut, El Pais, Corriere De La Sierra, Le Monde, onde, onde, onde? Tudo ali, na tela. Do computador, claro. TV passa tudo. Muda de canal. Frenético, disparado e sem se dar conta. Inconscientemente, vem ela: a fome. Hora de comer. Repor. Surge o dilema. Aposta em besteiras. Comida pronta, que pede pelo telefone ou pelo microondas mesmo. Só seleciona o tempo. Espera, e come. Em frente a TV, ao computador e com o som à espera pra tocar o disco do momento. Ao menos uma vez na noite. Mais internet, twitter, G1, UOL, IG, blog, Orkut, El País, Corriere De La Sierra, Le Monde onde onde onde? Nos pesadelos de uma noite de sono profundo.

Já pararam pra pensar o tanto de informação e estímulos que absorvemos em um único dia?

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Política enlatada

Início de 2010 e já não se fala em outra coisa. Ano político é assim, ainda mais quando a decisão é feita em âmbito nacional, com a escolha de um novo presidente. Meio a toda essa euforia, na procura por respostas de quem serão os candidatos, prudentes em revelarem-se como tais e, até mesmo, descobrir como andam as negociações de bastidores, é inevitável fazer uma análise dos  perfis e da situação política hoje.

Os homens públicos estão com nova feição. Talvez não seja apropriado utilizar-se do jargão: “Já não se fazem políticos como antigamente”. Mesmo antes, havia os que se utilizavam do poder para se favorecerem, e bem sabemos o final dessa história. Mas por um lado, acaba que existem, hoje, novos requisitos a serem preenchidos por aqueles que desejam concorrer a cargos públicos. Vivemos na era dos políticos fabricados e, como se não bastasse, de uma política que assume o seu lado negro: o da politicagem.

Essa mudança se dá muito em função de uma crise de valores. Foi-se o tempo da valorização do idealismo, do propósito, do engajamento em causas sociais, da história pública e vê-se, então, o favorecimento do status de empresário, da beleza, da simpatia, do sorriso farto de dentes, da capacidade dramática, do “photoshop” além do computador. Homens que nunca pensaram um dia ocupar um cargo público e que jamais se envolveram em lutas por melhorias sociais ou coisas do tipo, de repente são levados a se renderem à atratividade dessa nova política. Seria ela um bom negócio?

Médicos, engenheiros, advogados, jornalistas, empresários, todos bem sucedidos em seus ramos, decidem se jogar de cabeça nesse mundo. Eis que surge de cara a indagação do porquê desses tipos serem atraídos pela política. Respostas são fáceis. Entre a previsibilidade de algumas e a irrealidade de outras, não é difícil optar pelo meio termo, que de mediano não tem nada. É latente e vergonhoso. O business político é real. O capitalismo invadiu, inclusive, as relações ideológicas e como já era de se esperar, envenenou boa parte, senão todos, com o seu regimento peculiar.

Compram-se homens e idéias como um manufaturado qualquer nas prateleiras do supermercado. Os partidos já não correspondem às suas diretrizes de origem e adquirem um caráter de comodidade. Candidatos filiam e desfiliam como quem muda de um cômodo ao andar pela casa. Vão para aquele que é mais fácil de se eleger , em se tratando de eleições proporcionais. Essa intencionalidade é suja. Ser político e deter algum cargo público virou sinônimo de emprego garantido por quatro anos ou oito, como no caso dos senadores.

E onde ficam, enfim, o comportamento, o idealismo, o propósito? A esses valores foram reservados um local especial no meio da demagogia dos discursos de palanque e de horários políticos. Soa bonito falar neles e, ao mesmo, é ilusório para uma sociedade cada vez mais carente dessas atitudes, mas farta dessa fábrica de posturas e enlatados, que abusa na construção de tipos belos e utópicos. Beleza e utopia, que no final das contas se saem como farsas dignas de Hollywood.

A publicidade tem um protagonismo nisso tudo, mas ela apenas exerce o seu papel. O discutível nesse emaranhado é o rumo que as coisas tomaram. Por que é aceitável mentir, construir perfis, interferir na personalidade, passar uma imagem que não corresponde à realidade, impor candidatos que usam e abusam de seus patrimônios na compra de votos, decidir as candidaturas em mesas de apostas regadas a muito dólar e euro, vender o peixe como se fosse o mais sadio, o mais farto e gordo, quando na verdade é entrelinhado de intenção suja e corrupta e, até mesmo, intenção alguma além do emprego e salários garantidos durante o tempo de mandato?

De fato, não se testemunha hoje àquela “arte dos homens” tão falada e teorizada por diversos estudiosos. Àquela arte transformou-se em doença genética, que insiste em não ter cura. Eles, enfim, correspondem à máxima de que qualquer um tem o seu valor, seja financeiro ou no mundo das artes dramáticas. Não é fácil constituir um tipo convincente. Pena que tudo está ficando banal, diante de tantas construções, que se utilizam dos mesmos artifícios. Políticos fabricados por uma política distante de qualquer sentido artístico, contaminada nas artérias mais profundas: é essa a realidade.

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Aviso aos consumidores

Este blog está ficando de mau-humor e descontando tudo no autor que o agride. As imagens dos posts antigos não estão abrindo. Creio que é por conta de uma burrada cometida há uns meses atrás, mas que só agora fui me dar conta. Desculpe aos navegantes e prometo solução até o final do mês.

Obrigado, Galtiery Rodrigues.

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Mix da viagem de réveillon

Enorme, eu sei. Mas nem contei tudo.

Teve um momento que pensei que não chegaríamos ao nosso destino. Sete horas de atraso em Paracatu (MG) por causa de um parafuso que soltou do motor do ônibus foi o suficiente pra eu não querer ir nunca mais naquela cidade. Ficamos parados na rodoviária do tal município, que tem o sistema mais inexplicável de anotar o que você consome dentro dela. Pela fachada você pensa que é um lugar simples, mas não. A ficha de consumo é surreal. Só indo até lá para saber.

Pois bem, parafuso encontrado, problema solucionado, voltamos à rodovia. Mais estrada, paradas em postos de gasolina (fetiche total), banheiros diversos (e o do ônibus que é uma história e odor a parte), lugares sem nome, que pelo sono longo de uma viagem longa, ficávamos lesados e mal sabíamos o solo que pisávamos, mas tudo deu certo e chegamos, enfim, na dita Cabo Frio (RJ). E o réveillon tinha, portanto, o seu início.

Primeira noite, conheci um legítimo carioca. Não pense que fui a uma quadra de samba, nem a um baile funk, tampouco a um bar “estilo Lapa”. Simplesmente fui a uma barraquinha de cachorro-quente na beira do canal, onde ficavam os barcos e os pescadores da cidade. Lá tinha um garoto, que passei a viagem inteira falando que tinha de entrevistá-lo, porque ele merece um perfil bem elaborado, mas acabou que isso não ocorreu.

Do pouco que sei, o menino se chama Webert, tem treze anos, de dia vende brigadeiros na rua e a noite ajuda os pais na tal barraca de hot-dogs. Pensa em um cidadão que tem histórias “no rumo do vento” para contar, não pára de falar um minuto e ainda tira sarro da sua cara (no meu caso, da minha estatura, disse que eu não podia andar sem a companhia dos responsáveis àquela hora da noite). O sotaque é aquele carioquês da gema, com muito chiado, “ás” abertos e coisas do tipo.

De cara perguntou se éramos de Minas Gerais, reconhecendo pela maneira como falávamos e emendou logo com a história de uma viagem ao sítio de um conhecido em Minas, e que lá ele passou muito frio, além de conhecer porcos gigantes. No mais, nos atendeu super bem, brincando sempre, arrancando risadas e deu-nos informações importantes: uma delas de que atrás da loja de Caça e Pesca, logo à esquina, não era um bom lugar para freqüentar, pois se tratava de um lugar “barra pesada”, conhecido como “inferninho”. Fui embora pra pousada, barriga cheia, cachorro quente digno, mas com a sensação de que aquele garoto renderia uma bela história. Dormi com aquilo na cabeça.

Segundo dia, praia o dia todo (aliás, praias muito boas. Fica a dica de turismo), saída a noite e foi-se a segunda impressão de Cabo Frio (muito boa, por sinal). No terceiro, dia 31, réveillon, preparação, manter a energia e conseguir agüentar o ritmo de uma virada que prometia. À tarde fomos, Vinícius e eu, para a Praia do Forte. Ele com uma ressaca brava da vodca da noite anterior, cansado por ter voltado tarde pra pousada e eu no pique total. Não caí na maldita bebedeira, tampouco fiquei até muuuito tarde na rua. E falei pra ele do desejo de entrevistar o tal menino dos hot-dogs. Ele achou o máximo e super válida a idéia. Animei e decidi que seria no sábado.

Noite de réveillon perfeita, foi o momento que nos enturmamos com o resto do pessoal da excursão. Galera bacana, que gosta de uma farra e de, principalmente, ver o sol nascer. Na praia ficamos, os sobreviventes claro, até umas 6h30 da manhã. Alguns foram sendo despachados aos poucos, em táxis conseguidos a custo de muito suor. Cidade lotada, todo mundo querendo ir embora, menos Galtiery, Dani, Atena e Pyero. E lá fomos nós. Vimos o nascer do sol e fechamos bem a noite, que proporcionou histórias para serem lembradas sempre. Mas isso não foi o bastante.

O dia primeiro prometia muito mais. Agora, todos amigos e unidos pelos abraços de felicitações de Ano Novo, decidimos sair juntos e procurar por algo interessante na night cabo-friense. Já era 1h da manhã, as boates estavam todas lotadas, os bares sem mesas para sentar, quando soltei a máxima no maior estilo “goianês”, de quem adora um legítimo buteco: “Ah, galera, quer saber, vamos pra um bar fim de carreira, sentar, beber e falar besteira.” Alguns aprovaram com louvor a idéia. Ai depois me surgiu outra hipótese: “Mas o bom mesmo seria um bar com karaokê.” Era perfeição demais pra querer em uma só noite.

Uma dos membros da manada, Stephannie (não a do Cross-fox), que pode ser chamada de Tetê e pros íntimos Tetezuda (quatro dias foram o suficiente pra eu me sentir íntimo, haha), lembrou de uns bares que rolavam na rua de traz da que estávamos andando e lá era exatamente o que procurávamos. Ela foi lá, conferiu se eles estavam abertos e, enfim, sentamos em um bar, cuja dona parecia mais um dono, pedimos três mesas, três cervejas e selecionamos, no mínimo, 30 músicas na jukebox do recinto. Tomamos conta do local, regados a muito Michael Jackson, Molejão, Raimundos e Mamonas Assassinas. Eis que por volta da décima cerveja, ouço do outro lado da rua alguém cantarolando, e tcharammmmmmm: surge um karaokê na nossa frente. A galera se entorpeceu de música e paixão.

Fui lá, eu e Tetezuda, pagamos 1 real e cantamos “Fio de Cabelo” dos grandes Chitãozinho e Xororó. Arrancamos aplausos do único casal presente e voltamos para o bar que estávamos antes só pra pagar a conta. O fio de cabelo não foi o suficiente. Muita animação, apenas 1 real a música e muito goró na cabeça, a galera mostrou todo o seu talento no local. Cantamos de Padre Marcelo Rossi à Like a Virgin. O que não previmos foi a lotação do bar. A nossa gritaria e os agudos bem afinados (nooot), com graves quando necessários, atraiu todo o pessoal da região pro tal restaurante, que eu não me lembro o nome agora, mas vai vendo o final dessa história.

Cantamos até umas 4h da manhã. Cansamos as cordas vocais, e quando o bar já estava cheio de bêbados e um decidiu cantar “Estou Apaixonado” de João Paulo e Daniel, decidimos zarpar pra praia e beber mais uma Cantina das Trevas. Felizes, tudo o que queríamos tinha acontecido e ainda sem acreditar se houvera, de fato, ocorrido mesmo, uns ficaram para ver novamente o nascer do sol e outros voltaram pra pousada. Fui dormir, claro. Ninguém é de ferro!

Dia seguinte, animação (vamos pra Búzios ou não?). O trânsito pra lá estava congestionado e demoraríamos, no mínimo, duas horas para chegar, ou seja, decidimos pela Praia do Forte em Cabo Frio mesmo, e por lá ficamos. Esse seria o dia que eu tentaria entrevistar o tal garoto – Webert. Dia todo na praia (praia desnutre a gente), deu fome no final da tarde. Uns foram para um restaurante comer, e eu decidi dar uma volta atrás de souvenires (é bom falar essa palavra). Precisava levar algo pros familiares. Fui a um espaço cultural que ficava perto dali, olhei algumas coisas e comprei outras na feira do Canal dos barcos e pescadores. Depois voltei pra pousada.

Lá, Lidilicious e Tetezuda, animadíssimas com os piercings novos que colocaram naquele mesmo dia, chamaram pra ir a Búzios à noite e dividir um táxi. Caso contrário eu teria de me contentar com a gravação do DVD ao vivo do Tchacabum, que rolaria aquela noite na praia. Fui em nenhum dos dois. As seqüelas de tanta fritação começaram a aparecer. O cansaço bateu na mente. Dormi até umas 11h da noite na pousada e a fome de leão veio com um rugido forte. Saí atrás de comida e me lembrei, novamente, do tal garoto. Foi quando decidi ir até o local, onde ficava a barraca de seus pais e que ele trabalhava naquele horário.

Cheguei lá, ela estava lotaaaada. Ele não sabia o que fazia primeiro. Dividia-se entre atender os clientes, arrumar vagas no estacionamento para outros que chegavam e, ainda, brincava e fazia graças para uma priminha que deve ter nem um ano direito, carregada por um tio que chegou enquanto eu estava por lá. Não conversei com ele, apenas observei um pouco mais para entender como são esses cariocas que tanto se fala nas novelas, nos filmes e nos jornais. Meio à maioria sem educação e ríspida, o menino Webert mostrou-se bastante cordial, educado e prefiro carregar na memória essa imagem do povo de lá.

No domingo, último dia, malas prontas, café-da-manhã à mesa e todos se encontraram pela primeira vez na viagem para fazerem juntos a primeira refeição do dia. Estava marcado pra sairmos às 9h. Eis que surge Lidilicious e Tetezuda, ressaqueadas, “todas cagadas”, como elas mesmo dizem. Papo vai, papo vem, elas soltam, quase que em coro: “Cara, chegamos agora há pouco de Búzios e descobrimos algo importante. Encontramos com um amigo nosso, ontem, e falamos da noite passada, que fomos no karaokê e tal. E sabe o que ele nos disse? Que lá, simplesmente, é o bar mais barra pesada de Cabo Frio, conhecido como o Bar do Pó, onde os viciados buscam a droga”. Depois que passa tudo, o que a gente faz? Ri, não é mesmo!?

E foi nesse momento que eu me dei conta: o tal lugar, tanto do bar da jukebox, como do bar do karaokê, ficava exatamente atrás da tal loja Caça e Pesca, ou seja, o “inferninho” cabo-friense, que o garoto Webert nos aconselhou a não freqüentar. E foi lá que tivemos a noite mais bacana da viagem. Ironia pura, ou não. De fim, resta-me dizer, que valeu a pena conhecer todo mundo, galera muito da gente fina, e que Cabo Frio e região, com ou sem inferninho é um roteiro digno. Vão todos, mas de avião!

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