Arquivo do mês: junho 2010

Anotações Leminskianas já no dia 22, mas referentes ao dia 21

Tato gasto

Idéia antiga

Sapato velho

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Vamos para Tókio

Onde não seremos percebidos

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Mundo cão

Mundo são

Mundo vão

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Gente alheia

Que nem tenta

E ignoram a própria

Ignorância vil

Mal sabem

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Evitemos! Isto! Se não dão a mínima! Vou lá ver em Pasárgada de qual que é! E serei rico! Longe daqui! Só rico!

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(Sou vil) Sol vinil, Sul vinil [Merchan]

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Se nada der certo, viro publicitário (nemmm)

Se nada der certo, viro funkeiro (e decreto o fim da carreira)

Se nada der certo, viro escritor de auto-ajuda (e pago língua)

Se nada der certo, viro vendedor de açaí em Santorini, na Grécia (e serei feliz)

Se nada der certo, …, não deu. (é a vida)

Vontade divina, não é mesmo? (Deus existe?)

Só peço que eu morra rico e no paraíso (qualquer buteco, mar e céu aberto).

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Bem humoremos este universo perdido.

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Fim!  Já são 22 de junho de 2010 (Dia de receber, vou no banco mais tarde fazer o saque)

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Tópicos pontuais

Sexto mês de 2010 e só tenho algo a dizer: cresci dez anos, amadureci outros 10 e, talvez, tenha até envelhecido um pouco além do normal nesse meio ano. Kamikase total, intensidade máxima, estresse lá no alto, pressão no auge e eu enturmado com tudo isso, tendo de encarar e fingir de amigo íntimo. Essa foi a minha estratégia. Deu certo. Saí bem no fim das contas e tirei algumas conclusões úteis, que espero levar para o resto da vida:

– Cada um tem um jeito e eu descobri o meu de tanto os outros apontarem o dedo e julgar. Mas descobri, com isso, que quem se dispôs a apontar e, até mesmo, incomodar-se sofreu muito mais e, ao fim, vi que tenho uma personalidade. Aos 22 anos, posso dizer que estou crescidinho e com manias e chatices bem definidas. Sou esquisito.

– Eu já suspeitava e vi que esclarecer, conversar e botar as cartas na mesa não é problema, não é difícil e é o melhor caminho para  situações embaraçosas e de pura pressão.

– Descobri que marcar território e impor limite é essencial. O respeito alheio em muito se dá por esses motivos. Existe gente folgada nesse mundo, se existe!

– Aprendi que não dou conta de fazer tudo ao mesmo tempo e isso significou o fim de uma crença. Pensava, sim, que eu poderia encaixar e realizar as coisas que fossem surgindo sem ter de abdicar de alguma. Acreditava que eu fosse capaz, mas não. Ninguém é.

– Aprendi que o estresse me deixa inativo, inibe a minha criatividade e o meu assunto passa a ser, única e exclusivamente, reclamar.

– Chorar é bom. Chorar de soluçar então… Lava a alma, purifica e chorei pela primeira vez como há muito tempo não fazia nesses últimos meses.

– Vi que existem pessoas legais, mas as super-legais merecem um pé atrás. Nem pai e mãe são super-legais. Os que assim tentam ser, certamente, sacrificam vontades e verdades.

– Vi, também, que não adianta acreditarmos que acumularemos algum reconhecimento nesta vida. No jornalismo então…

– Mas, também, não deixei de acreditar em nenhum instante. Acredito!

– Passei a ver o jornalismo goiano como algo medíocre e nada motivador. Afinal, trabalhar na Jaime Câmara é o máximo que você pode atingir aqui e isso é visto como o auge da profissão. Triste…

– Mas sabe qual é a real? Eu amo essa coisa que se chama jornalismo e eu sou um perdedor, porque a escolha por essa profissão foi a mais certa que eu fiz até hoje. Como assumir isso sem parecer tolo? Não sei… Só sei que nesse meio temos de tomar cuidado e fazer a hora, fazer acontecer.

É isso…

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Culpa da NET, da camisa do Fluminense e do zelador fdp

Hoje são 15 de junho de 2010 e vocês só terão acesso a este relato no dia 16, quando, provavelmente, eu terei de volta o acesso à internet e à TV, e poderei postá-lo. Fosse um dia qualquer tudo estaria normal, afinal, os serviços da NET saírem do ar já virou costume corriqueiro, do dia-a-dia. Acontece que “neste dia de hoje” foi a estreia da seleção do Dunga, do Brasil, da minha seleção na Copa do Mundo da África do Sul. [Estou pondo todos os dados, para que isso sirva de documento histórico um dia]

A animação começou ontem (14). Não vou mentir, nem muito envolvido com Copa eu estou. Gosto de ver os jogos, mas se eu falar que torço, choro, visto a camisa, com certeza, estarei me referindo a outra pessoa e não a mim. Pois vejam: hoje não fui à faculdade, tampouco trabalhei, tudo com aval, consciência limpa e por causa do jogo é claro. Acordei, nem almocei direito, porque acordei tarde, fiquei só na espera do jogo. Tomei um banho, fiz umas coisas que tinha de fazer perto de casa, voltei e pensei comigo: “Cara, vou assistir o jogo sozinho, como há muito não acontecia em época de Copa. Preciso fazer algo de especial.”

A tal camisa é igual a esta da foto

Lembrei de uma camisa da seleção que eu havia comprado para a Copa de 2006, que aconteceu na Alemanha. Abri o guarda-roupa na esperança de encontrá-la, porque se eu tivesse de ver o jogo sozinho que fosse, ao menos, em grande estilo, certo? Não, errado. A camisa eu dei para o meu irmão no ano passado. Não está mais comigo. Foi aí então que dei de cara com uma camisa bonita, vermelha, branca e verde, do Fluminense. Não pensei duas vezes e a vesti. Ela era de meu pai e eu a surrupiei, para não dizer que roubei, uma vez aí no passado, mas isso não vem ao caso. O que interessa é que eu estava, agora, vestido á caráter. Estava com trajes futebolísticos para curtir o jogo de estreia da seleção no conforto de minha casa. Isso sem contar que havia colocado, mais cedo, a música tema da Copa, da Shakira (Waka Waka), para baixar no computador. Ouvi umas dez vezes para ver se eu me animava.

Pois bem, eu com toda a minha capacidade de pensar em tudo, juro que imaginei minutos antes, diante daquele frenesi na internet, no twitter, barulho de rojões, vuvuzelas, vizinhos ouriçados, como ficaria se a energia acabasse na hora do jogo. Qual seria a sensação? Pensei até que isso não aconteceria, porque jamais que o Lula deixaria isso acontecer. Em ano de eleição, primeiro jogo na Copa, se o Brasil desse uma pane de energia ele poderia desistir de eleger a Dilma. Ou seja, eu estava viajando, alucinando em um fato que estaria longe de ocorrer. Entrei no clima, tuitei atééé falar chega. Fiz o pré-jogo, tal qual o jargão do jornalismo esportivo, e fui me deleitar com aquela performance morna do primeiro tempo.

Seleção mais ou menos, jogo mais ou menos, clima mais ou menos. Depois de 45 minutos, tudo ficou no zero a zero. Voltei à internet, tuitei algumas coisas e conferi a repercussão nos sites. Iniciado o segundo tempo, três minutos de jogo e o que acontece? A TV sai do ar. Desesperei, porque eu sabia que o Brasil poderia fazer um gol a qualquer momento e eu, então, perderia o primeiro balançar nas redes da seleção na Copa. Recorri à internet, fui ao Globo.com, estava lenta a conexão, até que, também, caiu definitivamente. Tentei voltar a TV para a antena do prédio, tirar o cabo da NET e, mesmo assim, nada.

Liguei na Central, já no auge do estresse, pronto para xingar quem atendesse, aí entra aquela voz bonita pedindo CPF, Código-Net, digite 1 para isso, 2 para aquilo, o tempo passando, eu ia até a sacada para tentar ouvir a TV do vizinho, não dava, enfim, desisti da ligação na primeira tentativa e resolvi esperar o retorno do sinal. Esperei, contudo, até a gritaria do primeiro gol tomar conta da região do meu prédio. A boate gay perto de casa estava lotada, a galera gritando, disparando as buzinas, vuvuzelas a todo vapor, fogos e eu ali parado, sem saber quem tinha feito o gol, ouvindo só a gritaria. Olhei para o meu celular e queria jogá-lo na parede com toda a força do mundo, estava puto. Como que isso poderia acontecer justo comigo e naquele momento? Sem TV, sem internet, sem comunicação. Era o fim.

Peguei o celular novamente e liguei. Dessa vez, como eu já sabia quais eram as perguntas a serem respondidas antes de falar com o atendente acelerei o processo e digitei todos os números e códigos pedidos. Falei com o telemarketing, expus o problema e ele, ainda, mesmo depois de eu já ter digitado o meu CPF, veio me perguntar qual era o meu telefone e e-mail para confirmar o cadastro. Mandei ele ir á merda, né!? Na boa, dava para ouvir na linha o barulho da TV dele lá ligadona no jogo e eu sem sinal de cá. Mesmo assim, contive o nervoso passei os dados e, segundo ele, tinha sido feita uma reconfiguração do código e tudo voltaria ao normal em quinze minutos. “Ok, vou esperar”, respondi.

Decidi que não poderia me estressar demais, porque logo mais a noite teria de enfiar a cara nos livros e terminar o meu projeto de pesquisa, que tinha de ser entregue no dia seguinte. Fui ler revistas, ouvir músicas no MP3, tudo na tentativa de driblar aqueles 15 minutos infindáveis. Mantive a calma naquele instante, mas a vaca foi pro brejo assim que ouvi a gritaria do segundo gol do Brasil e uns gritos de lamentação, quando a Coréia do Norte fez o dela. Peguei aquele celular, que já estava falhando, porque eu já havia o jogado no chão de raiva na primeira ligação, respondi os códigos da NET de novo, falei com a atendente Aline e disse de cara:

_ Quanto está o jogo do Brasil?

Ela:

_ O que senhor? Não entendi…

_Quanto está o jogo do Brasil?

_ Ah, sim, 2×1, por quê?

_Porque eu estou sem sinal de TV, de internet, o menino aí, esqueci o nome dele, falou que voltaria em quinze minutos e, até agora, nada. O Brasil está jogando na Copa do Mundo e eu estou na minha casa que, em tese, era para ser o melhor lugar para ver o tal jogo e acabou se tornando no pior lugar do universo, porque não tenho sinal de porra nenhuma e, agora, estou por fora do placar, do que está acontecendo e de tudo o mais.

Ao fundo era possível ouvir os gritos, a animação dos funcionários da NET assistindo ao jogo. Ouvia-se, inclusive, com nitidez absurda a voz do Galvão Bueno. Mas a moça, coitada, ela não tinha culpa de nada. Fez de tudo para ajudar, instruiu-me em algumas tentativas, e nada. Marcou uma visita do técnico para o dia seguinte em caso de o sinal não retornar dentro de uma hora. E eu, nervosíssimo, já disse que ia cancelar o meu contrato se caso não desse certo. E ficou por isso, só na conversa. Esperei uns quinze minutos em casa, sinal algum na TV. Internet nenhuma. Joguei paciência spider no computador, xadrez, perdi uma, duas partidas e resolvi desligar tudo e sair.

Fui até a padaria comprar algo para comer, afinal, não havia almoçado direito. Cheguei lá, perguntei logo quanto havia ficado o jogo e os atendentes me confirmaram o placar. Relatei a minha situação para eles, ficaram rindo e mais nada. Só isso. Questionei quem havia feito os gols, e para quê!? Ninguém sabia direito se era Elano, Nilmar ou Maicon. Eu falava dentro de mim: “Que merda de torcedores são esses que não sabem nem os nomes dos jogadores, e dos que fizeram os gols de estreia ainda?” Era inadmissível. Ninguém soube responder ao certo. Comprei lá algumas coisas e retornei para casa respirando fundo e torcendo para o sinal ter voltado. No caminho, ainda, apareceu-me um cidadão todo enfeitado em um conversível amarelo, bandeira gigante, perambulando pelas ruas da região com a namorada ao volante, enquanto ele assoprava a vuvuzela. Tudo, naquele momento, era motivo para eu xingar e desejar o mal. Não sou assim, fui por alguns instantes apenas, certo?

Ao chegar no prédio, deparei-me com o técnico da NET. Pensei: “Ufa, espero que ele não seja um zé ruela igual o Dunga, técnico da seleção.” Conversa vai, conversa vem, olhou os fios tal qual um médico olha as veias a procura do diagnóstico e, enfim, o problema era lá embaixo, na fiação do prédio. A vizinha do 116, também, estava sem o sinal. Ele desceu correndo as escadas, foi até o estacionamento, descobriu onde ficava os cabos e surgiu um obstáculo: estava trancado. A chave fica com o zelador, que havia saído para assistir ao jogo na casa de um amigo e, certamente, não retornaria antes da madrugada, porque ele adora uma cachaça. Disse tudo isso, com estas palavras e com xingamentos ferozes nas entrelinhas de cada frase. Queria pegar aquele zelador gordito, de mais de 90 quilos, e torrar igual um torresmo. O que aquele cidadão tinha de fazer fora de casa? Não dava para assistir o jogo ali no prédio não? Enfim, eu já não entendia mais nada, poderiam vir com qualquer explicação que eu já partia para a ignorância.

Restou ao técnico da NET ir embora, afinal, sem a tal chave era impossível solucionar o problema. Eu, a vizinha do 116 e, acho que mais alguns no prédio, tivemos de ficar a noite sem internet, sem TV, sem ver os gols, eu sem saber ao certo quem os marcaram e sem ver o jogo de estréia da seleção brasileira na Copa da África do Sul de 2010 (vou falar isso para sempre). Acontece que neste burburinho todo, nesta situação embaraçosa, para não dizer trágica, eu transitei sempre com a tal camisa do Fluminense. Antes de vesti-la, confesso que me perguntei se seria um bom negócio e se daria sorte. Pensei que sim e, para argumentar a favor, fiz analogia com a situação do time no Campeonato Brasileiro, Muricy estava se dando bem, Fred brigando pela artilharia, enfim, tudo nos conformes. Mas agora só digo que nunca mais a visto. Depois da experiência de hoje só me resta procurar culpados e, certamente, ela faz parte do trio formado, ainda, pela NET, claro, e pelo zelador que foi fornicar em outras vizinhanças, longe do prédio e levou consigo a chave de onde ficavam os cabos no estacionamento. Enfim, fui “sorteado” e prefiro crer, neste momento, embora não goste de ditados, que nessa vida “nada como um dia após o outro” e que, amanhã, eu posso ficar milionário na Mega-Sena. Abraços!

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Agora são 19h19. Acabo de escrever este texto. Exatamente, às 19h02, enquanto eu estava no meio da produção do relato, o pessoal da NET me ligou novamente e disse que mandaria outro técnico para vir solucionar o problema. Disse a eles que o mandassem, mesmo eu já tendo perdido o jogo e me conformado, mas que precisava da internet para resolver problemas de faculdade e terminar o meu projeto de pesquisa. A vida segue…   

Meia hora depois…

Segue o caramba. Não voto na Dilma nem pagando e o Lula é um merdinha. O técnico da NET veio né!? Aí o que acontece? A energia no prédio acaba e ele, que já estava no fim do seu expediente, não podia esperar ela voltar. Foi embora para casa ver os gols do jogo na TV da sala e eu, aqui, sem sinal de nada, sem comunicação. Dia zicado, só digo isso! E o zelador continua a fornicação longe das redondezas. Deixa ele comigo…

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Sobre os eufemismos de morar só

Coisas para fazer, tenho várias, mas quando chega a sexta-feira e paro para pensar em como foi a semana, a correria, o estresse, os momentos em que quase joguei tudo para o alto e, claro, não faltam os prazerosos, é inevitável a vontade de escrever. Escrever sobre tudo, todavia, é impossível. Tem de escrever sobre algo e focar, aliás é esse o lema ultimamente. Resolvo, portanto, falar da vida de quem mora só e tem de dividir tudo consigo mesmo e tomar decisões discutindo com a própria mente. Vamos aos fatos.

Já vai fazer quatro anos no próximo mês. E posso dizer, seguramente, que é uma experiência e tanto. Fiz muito, cresci muito, fui obrigado a muito, tive de me virar muito, às vezes com pouco, e posso dizer, agora, que valeu a pena muito. Mas nessa coisa do muito, há o pouco, que transita e se faz onipresente. É natural nesse processo darmos valor a coisas que antes nem percebíamos e é, justamente, a ausência, a falta e o limitante o que nos abrem os olhos. E do pouco, então, faz-se o muito nessa vida engraçada, para não dizer solitária.

Hoje, amo todas as mulheres e as admiro pela capacidade e habilidade de executar as tarefas de casa, porque vou falar, viu: ô coisa para dar trabalho. Valorizo a roupa passada, cheirosa e macia de quando morava com os meus pais. Lá tinha gente para fazer isso. Recordo da cama arrumada, lençol esticado, tudo perfeito para chegar, deitar e dormir. Sonho todo dia com a comida boa, quente, na mesa, tudo posicionado, pratos, talheres e família. Era hora de comer, de debater, de resolver, de levar sermão e, porque não, de rir. Mesa quadrada, quatro pessoas, pai, mãe, eu e irmão. Pai de frente para a mãe. Eu de frente para o meu irmão. Lugares marcados. Agora, como em restaurantes, no shopping, na lanchonete, correndo, sem debate, sem discussão, sem sermão, sozinho. Não deixo de rir, todavia. Penso muito, falo sozinho, até porque isso são hábitos que surgem e se acentuam com o tempo, excepcionalmente, para quem mora só.

Alguns pensam que sou louco, que tenho problemas, preciso de tratamento, mas não. São hábitos naturais de quem tem de decidir consigo, debater consigo e dar sermão em si mesmo. Falar sozinho e rir de si são coisas normais para mim. Esqueço de quando estou na rua ou mesmo acompanhado e começo a lembrar. É natural iniciar o falatório solitário, que só eu entendo. Esqueço que não estou em casa, que estou fora e que além do lar existem outros, os demais. É hilário, para não dizer problemático, diagnosticável.

Mas hoje, também, amo a tecnologia. Não fosse ela, seria louco. Aí sim poderiam me levar ao médico ou internar em algum hospício. Acentuaria meu lado bicho e viveria na selva. Não teria o contato que ela permite, não encurtaria as distâncias, não trocaria idéias e viveria, única e exclusivamente, no meu yellow submarine. O celular me permite ligar e escutar a voz. O computador me permite teclar, falar, ver. Isso é importante.

Não sou de desesperar, embora ultimamente a coisa tenha apertado, a pressão tenha ficado latente e eu, que não procuro levar nada além de meu submarine, tive de recorrer. Não agüentei. O durão fez-se de barro e mostrou-se incapaz. Liguei e assumo: chorei. Recorri a manhêêêê de peito cheio e falei tudo que precisava e ela, naquele momento, entendeu, resolveu e suavizou a realidade. Não fez eufemismos, foi real como sempre é. Realista de carteirinha. Afinal, de eufemismos basta a crendice sobre o lance de morar só. Tudo é muito livre, muito novo, muito desafiante e muito desejoso, mas voltemos a história do muito e do pouco. É um muito que exige, que ensina, e que judia também. Somos lembrados, constantemente, de nossa pequinês, dos medos consecutivos, das decisões múltiplas, várias no mesmo minuto, e temos de seguir em frente. Morar só é instigante, para não dizer massacrante.     

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Mas o Galtiery véio e marrento é igual essa música aí, ó:

“Muito do que eu faço, não penso, me lanço sem compromisso.”

“Vou no meu compasso, danço, não canso a ninguém cobiço.”

“Você não sabe da missa um terço”

“Tanto choro e pranto, a vida dando na cara. Não ofereço a face nem sorriso amarelo.”

“Dentro do meu peito, um desejo martelo, uma vontade bigorna!” 

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Revendo o A B C D E F G…

Decidir não é nada fácil para um cauteloso, tal qual. Pensa um, dois meses e quando decide, todavia, é para assim ser nem que tenha de se livrar de coisas que gosta, mas que acumulam e cansam. Existe algo além e a ser feito, que não pode esperar. É hora de abdicar de uma responsabilidade pequena para investir em uma enorme. Tão grande que, às vezes, surge a dúvida de conseguir executá-la. Sozinho, e meio a pequinês literal e de auto-confiança, aqui vou eu.

Medo filha de uma puta, desnecessário.

Mente desgraçada, inquieta.

Realidade turva, sem caminhos claros.

Fraqueza involuntária, suma!

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