Arquivo do mês: outubro 2010

Música “chuta lata na rua”…

… tempos que não ouvia. Ouvi agora e acabou rendendo este post simbólico em homenagem aos versos que já fizeram sentido um dia.  “Molambo” é aquele tipo de música ideal para a voz de cantores brega, mas sem perder a beleza e significado. É uma descrição certeira e simples. Um samba digno.
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Molambo
Composição: Jayme Florence e Augusto Mesquita
Eu sei que vocês vão dizer
Que é tudo mentira
Que não pode ser
Porque depois de tudo
Que ela me fez
Eu jamais deveria
Aceitá-la outra vez…

Bem sei que assim procedendo
Me exponho ao desprezo
De todos vocês
Lamento!
Mas fiquem sabendo
Que ela voltou
E comigo ficou…

Ficou prá matar a saudade
A tremenda saudade
Que não me deixou
Que não me deu sossego
Um momento sequer
Desde o dia em que ela
Me abandonou…

Ficou prá impedir
Que a loucura
Fizesse de mim
Um Molambo qualquer
Ficou dessa vez para sempre
Se Deus quiser…

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aqui eu falo, aqui eu escrevo

Escrever mecanicamente não tem graça. Não existe o mínimo prazer nisso. Quem faz jornalismo porque gosta de escrever, não pense que vai encontrar satisfação nas redações de jornal. São burocráticas demais para isso. A escrita como expressão, arte e sentimento está longe da temporalidade jornalística, do deadline que estrangula qualquer criatividade e raciocínio. Você fica inevitavelmente frio e aprende a se adequar às condições. Não é assim no geral. Ainda tem casos que permitem o luxo de se dedicar a uma pauta semanal e fazer um trabalho digno de orgulho pessoal. Não me orgulho de nada, até então. Foi tudo feito às pressas, sem os poucos segundos a mais que seriam cruciais para concluir um pensamento ou inserir aquela informação ilustrativa. Tudo serviu, até agora, para comprovar uma tese que disse certa vez no twitter e rendeu polêmica entre os mais intocáveis: jornalismo é o lixo da escrita. Tanto é que o texto mais elaborado e aprofundado nunca recebe o nome de jornalismo apenas. É jornalismo literário, jornalismo analítico, jornalismo opinativo, etc.

 

MAS PORQUE GOSTAMOS DISSO?

 

Porque, acredite, eu curto essa correria, esse estresse que mais arranca tiras e tiras de couro de minhas costas do que rende reconhecimento. Há quem se refere a jornalistas como masoquistas. Pessoas ao montes não entendem essa preferência, esse gosto e, porque não, esse amor. Mais do que masoquistas, diria que somos amantes profissionais e temos uma dose a mais de apreço e apego; uma dose a mais de idealismo; uma dose a mais de persistência. É fácil demais desistir. Elementos favoráveis a isso não faltam. E continuamos, mesmo que escrevendo porcamente. Controversa ao extremo, essa questão não é para qualquer um. É para poucos, porque só poucos se arriscariam nessa loucura de desgaste diário. Consciência, no entanto, nunca é o bastante. Sejamos francos, menos engomadinhos e assumamos quando fazemos um trabalho mal feito. Odeio quase tudo que já fiz. É demais reconhecer que sou péssimo hoje e posso chegar a perder somente 5% dessa característica depois de 30 anos de profissão? Prestes a me aposentar serei, portanto, 95% péssimo.

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É bem assim mesmo…

David Randall, jornalista britânico que escreveu a biografia de Januarius Aloysius Mac Gahan, um outro jornalista do século passado que conseguiu se destacar apesar das limitações, abriu o tal livro dizendo que todas as publicações do mundo deveriam conter a seguinte nota sobre o processo jornalístico:

“Este jornal e as centenas de milhares de palavras que contém foram produzidos em aproximadamente 15 horas por um grupo de seres humanos falíveis, que, desde Redações lotadas, tratam de averiguar o que ocorreu no mundo recorrendo a pessoas que, ás vezes, são refratárias a contá-lo e, outras vezes, decididamente opostas a fazê-lo.

Seu conteúdo está condicionado por uma série de valorações subjetivas realizadas pelos jornalistas e os chefes de Redação e influenciado pelo conhecimento que estes têm dos preconceitos do diretor e dos proprietários.

Algumas notícias aparecem sem o contexto essencial, já que este reduziria o dramatismo ou a coerência (do texto). Parte da linguagem empregada foi escolhida deliberadamente pelo seu impacto emocional e não por sua precisão.”

E aí Clóvis Rossi, jornalista com mais de 45 anos de atividade, que já fez de tudo na profissão, de rádio-escuta a editor-chefe, diz:

“Isso é desalentador? Não se considerarmos que Randall diz também que é possível superar tais limitações, ‘pois todos os dias alguém o faz em algum ponto do planeta’”.

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Não vemos

Tenho pena do chão, do colchão e do coração. Todos judiados, dia após dia, todos os dias.

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