Arquivo do mês: fevereiro 2011

Saudade

O futebol de asfalto, os gritos para tomar banho, as brincadeiras até tarde da noite, as rixas, as brigas e as risadas sempre ao fim. Os trabalhos, os deveres de casa, as pinturas, as colagens, as danças, as apresentações, os amores de criança, os beijos e beijinhos – não passava disso. O melhor amigo, a soneca depois do almoço, a roupa limpa, passada, o cheiro bom da comida e os cortes de cabelo da minha mãe. O trajeto, o calor escaldante, o pouco importar com a opinião alheia, a gritaria e a bagunça. Os planos, os sonhos, a solidão da juventude, a imaginação rica em detalhes, o senso de humor e a despreocupação. Atravessar a rua, atravessar o quintal, atravessar o rio e chegar no esconderijo. A liderança, a organização, as festinhas, as festas e as farras. As meninas, os meninos, as professoras, as gincanas, a salsa e o chapolin colorado. As tardes de andança pela cidade, o carro que furava o pneu, a ajuda e a diversão em resolver os problemas. Os conselhos, a prontidão, a vontade de fazer e a capacidade de agir rapidamente – até hoje. O sorriso, o mosquito, o geléia, as viagens próximas, as excursões, Caldas Novas! As fofocas, as risadinhas, as risadas e as gargalhadas. A diversão, a espontaneidade, os galanteios e as conquistas. As mudanças, as escolas, os locais, os bares, as ruas, as distâncias pequenas e, agora, a distância longa. A separação de amigos e pais.

GOIÂNIA

A timidez, o medo e a certeza de que tudo acabaria bem. A liberdade, o morar só, o morar junto, a convivência, o aprendizado, a crueldade, a maldade e o voltar atrás – pedir desculpa e ser desculpado. As mulheres da casa, o apartamento de três quartos, o cursinho, acordar 5h30, pegar ônibus e prestar atenção nas aulas. Os telefonemas diários – Oi meu filho, está tudo bem? Como está de dinheiro? Tem o suficiente? -, os relatos de como foi o dia, as novidades minuto a minuto e a adaptação. O repentino, a dificuldade, o alto preço, a procura pelo barato, a responsabilidade e a obrigação de dar conta do recado – resolver ou resolver, nada além disso. Casa nova, quitinete, prédio novo, meses e meses até a primeira amizade, o desejo de conhecer e a vergonha de perguntar. A rapidez, a carência mútua, a turma, a novíssima turma e a união crescente. As manhãs de aula, as tardes de mais aula e as noites de cachorro quente. A Tay, o Marcelo, a Marina, o Caio, algum lugar da Bahia, Goianésia, Itaberaí e Rialma. As meninas de Rio Verde, a outra baiana de Barreiras, o vizinho da frente, o do lado esquerdo e o do lado direito. As luzes acesas, a madrugada, os livros, as leituras incansáveis, o estresse, o vestibular e, depois, a aprovação. A felicidade, o choro incontrolável, o soluço, as perguntas – O que faço? E agora? O que de melhor e mais louco posso fazer? -, a comemoração em grande estilo, de noite na capital, no outro dia de manhã no interior, os foguetes, os carros, os velhos amigos, os abraços sinceros, o nado no asfalto, o grito em pleno culto da Universal do Reino de Deus e os pais orgulhosos – não pela aprovação, mas pela coragem de interromper o pastor, é claro (brincadeira, essa é uma longa história).

 

E durante tudo isso, desdobrei-me entre o cursinho e o trabalho, o primeiro emprego do qual não sinto saudade e não vale a pena citá-lo aqui. Pulemos, então, quatro anos de história.

 

O início da faculdade, a frustração de iniciante, a Facomb, os professores e a malandragem desde o princípio. Os mais novos amigos, novas conversas, novas brincadeiras e novos apelidos. Os rocks, o gosto musical, as bandas, as cantoras e as vozes. O primeiro lead, a reprovação por falta e o pouco importar. O novo estilo, as mesas de bar, os bate papos intermináveis e os assuntos mais variados. O carro da Ju, a Ju, o lixo do carro da Ju, os livros do banco de trás do carro da Ju, o detalhismo em relatar os fatos da Ju e o meu nervosismo por causa disso – Eu amo ela! A cobertura, o salão de festas, o Cezinha, O Pinga, as baladas, o celta branco, a conversa franca, a troca de opinião, o Fernando, as loucuras, The Doors, o Bolshoi, os shows, as danças, o cabelo grande, o Daniel, a máquina fotográfica, a ironia, o desprendimento, o rock pesado, a versatilidade, o Metropolis, o Metal e os registros engraçadíssimos de todas as festas – sempre com bundas das garotas, sempre. Os porres, a inconsequência, os estudos, o pouco esforço, as notas péssimas, o muito esforço e o dez garantido – alguns nem deram tanto trabalho, vale frisar (rsrs). Galty, o Jota, o Jota Jota, a Gaby Mota, o “lindíssimo”, o “beijo beijo” e o “tchau tchau”. Ah, tem a Raigas – Raíssa Martins, a mais gatinha de todas, por quem tive um amor platônico (uma pena ela não ter correspondido, já que seria a mulher mais feliz de todas. Continuo amando ela, mas não platonicamente. Ela também gosta de mim, eu sei).

ESTÁGIOS

A hora do trabalho, o estímulo infinito, a produção a todo vapor, os resultados, os elogios e as possibilidades de um futuro bacana. O primeiro jornal – o Opção –, a primeira matéria em um jornal, a primeira tutora, mesmo que por telefone – Sarah Mohn. O novo estágio, o primeiro chefe-chefe mesmo de estágio, Leandro Resende – um fanfarrão, gente boa -, a troca de figurinhas do álbum da Copa do Mundo, os eventos, a Acieg. O cansaço, a dúvida, o projeto da revista, a pressão para formar (até hoje, nada), a megalomania, o largar tudo, e assim foi. O pedido de demissão, a saída lamentada, a despedida cheia de lágrimas. Foram seis meses, tempo suficiente para conquistar uma legião de novas pessoas. Uma semana depois, as peripécias da vida, nova oportunidade, novo jornal, revisão de decisão, voltar atrás e começar tudo novamente. Novos amigos, a reportagem, a paixão pelo jornalismo diário e o esforço pelo bom trabalho. O reconhecimento, a contratação e o trabalho árduo. Amo!

16 de Outubro de 2010

Desde esta data, tem sido assim: aprender amar, aprender a falar e aprender a chorar. Reconhecer, confiar, entregar-se, se jogar, sem se importar e sem ressalvas. Agora é manter, concluir a graduação no meio do ano, continuar acreditando na profissão, nos sonhos, ao lado da mesma pessoa e acrescentando novos conhecidos e amigos a cada novo lugar, a cada novo emprego, a cada nova oportunidade!

 

Dedicado aos que fizeram parte, aos que fazem e aos que farão…

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