Arquivo do mês: agosto 2011

Cansaços que amadurecem

Outro dia alguém me alertou: “falta o lúdico na sua vida”. Parei para pensar no quão inusitada foi tal afirmação. Refleti por minutos e concluí em voz alta, depois: “falta prazer, é isso”. O cansaço é algo que vai acumulando, caso não existam brechas para liberá-lo. E o montante aqui já atingiu o limite. Eu sinto.

Falem o que quiser, me chamem de fraco e dramático, mas a vida tem sido só obrigação em 2011. Eu sabia minutos antes da meia noite do dia 31 de dezembro de 2010 que assim seria. Só não esperava tanto. Se pensava que havia crescido aos 22, enganei-me solenemente. Cresço agora aos 23 e meio.

Enfrentar o alheio, tornar-se flexível ao outro, saber dosar o que é válido e não, ter consciência da atitude, manter a calma, tudo é sinal de um amadurecimento que, sim, posso dizer que estou adquirindo. Minha mãe teria dito certa vez que isso se trata nada mais, nada menos da formação final da personalidade. Pode até ser. Não planejava, porém, tanta cobrança minha e dos demais.

Passo horas, dias inteiros pensando em como mudar. Fico neurótico, remoendo cada detalhe e a sensação é de que a vida está passando. Enquanto isso, fico eu à espreita, tonto e revolto em nebulosidades. E o pior, é tudo voluntário. Chega, ora pois! Já entendi o recado. Aprendi e sei bem o que virá depois. Que venha 2012 com todo o seu misticismo.

Os amigos sofrem. Cada um cede um ouvido por dia. Ás vezes, dois. E lidam com cada lamúria. Sou / serei um eterno insatisfeito. Um ser humano no significado pleno. Aquele que reclama sem parar, mas também que aprendeu a aceitar as próprias fraquezas, embora não perca a chance de falar somente de suas forças. Parece brincadeira, mas não é. Ainda falto aprender sobre isso.

Quem falou do “lúdico” como ausência notória foi um amigo, que acrescentou ainda a falta de um foco, de uma meta. Pensei novamente sobre, mas não demorou mais que segundos. Respondi que a meta hoje é o descanso, é a fuga, é a distância. Vou, aqui, continuar a espera por estes desejos tais. Sem, contudo, desesperar. Afinal, amadureci ao menos, certo?

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O animalzinho vai virar um animalzão…

…e nem por isso merece perda de atenção.

Jabutis no Cetas do Ibama em Goiânia. Foto: André Costa

A lição do dia é: o jabutizinho vai virar um jabutizão. Dos animais que entram no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Goiás, somente 15% são entregues por vontade própria dos donos. Mas nesse caso, existe uma espécie que chama mais atenção. Quem nunca teve o seu, com certeza conhece alguém que já comprou um jabuti filhote para ser bicho de estimação e criar dentro de casa. Acontece que aquele animalzinho de um ano pode chegar a mais de 60 e se transformar em um animalzão.

 No Cetas, existem hoje 106 jabutis e 90% deles foram abandonados pelos donos depois que atingiram tamanho e fome de gente grande.  Eles de repente deixaram de ser “bonitinhos”, “fofos”, leves e fáceis de criar. E é aí que está o problema. Antes de adquirir um animal, pense bem e saiba que ele não é feito para proporcionar prazer momentâneo e depois ser deixado ao léu ou entregue para um criador qualquer. Se você se propõe a ter um animal de estimação é bom saber que isso implica em convivência e alteração da rotina do bicho, que deveria viver em liberdade e não preso em casa. Portanto, abandonar depois de passar certo tempo enclausurado, já grande e depois de perder a “graça” chega ser egoísta.

 Hoje, o coordenador do Cetas, Luiz Alfredo Lopes Baptista, considera o exemplo dos jabutis um grande problema. A população é grande e existe desde o menorzinho até o grandão. Além disso, não somente no que se refere à lotação do recinto, mas também ao comportamento das pessoas que insistem em adquirir animais sem se preocupar com o que pode ser acarretado, Luiz reflete e deseja que todos tenham o mínimo de consciência quando decidirem comprar um jabuti por aí. São bichos de longa expectativa de vida, dóceis, tranquilos e que comem, comem muito. Precisam de cuidado e atenção especial.

Vão virar baianos

Felizmente, os 106 animais da espécie que estão hoje no Cetas vão ter um destino feliz na próxima semana. Um conservacionista da Bahia, autorizado pelo Ibama, vai vir buscá-los e soltá-los na região oeste do estado, onde, por causa da expansão da fronteira agrícola, já não existem mais jabutis. Esta será a segunda vez que o tal criador vem  buscar animais em Goiás para realizar pesquisas e, quem sabe, recuperar a existência da espécie na Bahia. A primeira foi no início desse ano e 70 foram levados. Luiz Alfredo comemora a transferência, porque isso significa que o Cetas está cumprindo o seu papel, que é ressocializar os bichos em seus habitats e destiná-los corretamente para quem, enfim, possa dar-lhes o cuidado devido.

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Não foi nada fugaz

Vá no youtube uma hora e digite “Amy Winehouse live”. Vai surgir um monte de vídeos da cantora, com músicas dos dois discos da carreira dela. Os melhores, no entanto, são os que ela está mais saudável (claro!), com voz inteira e performance segura. Faça isso. Veja ela cantando Stronger Than Me, There´s No Greater Love, Love Is a Losing Game, You Know I’m No Good, Valerie e Back To Black, para ficar somente em alguns exemplos. Detalhe: escolha os vídeos acústicos. Pronto, veja todos, no último volume, sinta, pense na letra, na vida de Amy, no quão breve foi sua passagem, mas leve em consideração uma coisa: não foi nada fugaz.

A inglesa passou, divulgou dois discos em vida. Deixou algumas outras músicas gravadas, que provavelmente vão render outros. Morreu sabe-se lá porque. “Droooogas, eu sei”, antes que alguém grite aí do fundão. Deus quis que assim fosse e ela deu uma ajudazinha bacana para acelerar o processo, vamos combinar. Mas isso não importa. Muita gente por aí começou a gostar dela porque achava roots e subversivo o “jeito estiloso” de acabar com a vida. Talvez, porque via naquilo tudo o que sempre quis ter coragem de fazer e nunca passou disso.

Mas amigo, estamos falando de uma cantora em toda a essência que existe nessa palavra, de uma pessoa que não teve oportunidade sequer de experimentar a sensação de ser uma balzaquiana. Morreu aos 27. Estamos falando de uma mulher que expressou toda a sua complexidade psicológica nos trajes, no cabelo, nas tatuagens, nas letras, no definhamento público e nas reações diante disso. Estamos falando de uma artista de primeira linha que não pôde entrar no país do Obama para participar do Grammy por ser considerada contrária às regras daquele “lugarejo” e mesmo assim levou, lá de Londres, cinco, eu disse cinco prêmios já no segundo disco. Alguma dúvida? Eu sei, não foi nada fugaz.

Amy morreu no dia 23 de julho. Milhares escreveram sobre o assunto, eu sei. Inclusive, gente que nem curtia o trabalho dela. Alguns levantaram a bola, outros nem tanto. Resumiram tudo em álcool, maconha, cocaína e crack. E eu decidi escrever isso só para ajudar. Dar uma ajudazinha bacana para mostrar que quem faleceu não foi uma drogada qualquer. Começar a falar de uma pessoa pela droga que ela usa é a demonstração de total ausência lógica e tato de quem fala. Ainda mais, tratando-se de Amy Winehouse: um talento! Abaixo estão seis vídeos, assim como descrevi e das mesmas músicas que citei no primeiro parágrafo. Veja-os. Antes, porém, vale esclarecer, já no fim deste abuso (tal texto),  que o motivo pelo qual resolvi escrever só agora, 20 dias depois, é só um: ela morreu mesmo? Não acredito!

There’s No Greater Love

Stronger Than Me

Love Is a Losing Game

You Know I’m No Good

Valerie

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