Arquivo do mês: setembro 2011

Só que sim

 

 

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Tenho saudade de muita coisa, eu sei

Nem sei ao certo quais, só que sim.

 

Serra Dourada, foto tirada pelo celular a caminho de Jussara, na última vez que fui.

 

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Babei em Céu

A Céu é muito mais que a voz aveludada, clichê utilizado por nove entre dez jornalistas que tentam descrever as características da cantora. Ela fez show em Goiânia ontem. Que mulher! E vamos começar pelas amenidades: bermuda preta, bem acima do joelho, blusa mula manca de tecido leve, nenhuma joia ou penduricalho; pernas longilíneas, malhadas, ombros magros, pele hidratada e o rosto estreito; cachos que encobrem a nuca, olhos profundos, expressivos, nariz fino e uma boca, meu Deus, uma boca!

Ela sabe se movimentar. Comentários e urros sobre aquele contorcionismo sensual em cada milímetro eram expressados em todos os cantos do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG). O espaço não lotou nem a metade, mas nem era preciso. A primeira vez da cantora em Goiânia tinha de ser mesmo em tom intimista, próxima e olho no olho. Tanto que homens e mulheres, independente da orientação sexual, sentiram-se autorizados a saírem boquiabertos e desejosos de mais Céu. Depois de noventa e poucos minutos de show, o ar cheirava a tesão reprimido. Tesão carnal mesmo.

A ansiedade dos fãs goianos, carentes de Céu, foi perceptível. Ela entrou no palco à luz baixa e a gritos altos. Começou a cantar daquele jeito que parece simples, embora bastante peculiar. Cada nota devidamente afinada, cada gesto minucioso, tudo, a princípio, parecia um modo dela dizer: “Oi Goiânia, prazer, meu nome é talento.” E o público não fez por menos. Apresentou-se devoto, contemplativo e com participação que nem a própria cantora esperava. Ela foi impressionada e impressionou, assim como já era esperado por quem já a conhecia. Aqueles que estavam debutando em Céu, saíram com uma única expressão: “Nossa!”

Ela poderia ter virado a noite cantarolando naquele local que chamou de “massa”, cujas portas de vidro da lateral esquerda dão para uma visão panorâmica da cidade. Com certeza ninguém arredaria o pé de lá. Céu faz jus ao nome. A diferença é que com ela não há nebulosidades, tampouco tempo ruim. Há luz e muita sedução. Deixar-se levar não é difícil, pelo contrário. E ela gostou de Goiânia. Tanto que sambou, rebolou, foi até a plateia, mandou beijo, cantou a música “Bobagem” no bis e sorriu com aquela boca. A mesma de onde sai uma das vozes brasileiras mais incríveis e mais conhecidas lá fora. “Cante Céu, cante sempre, não pare, mas volte!”

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Em 10 minutos (agora são 11h50)

Foto nada a ver com o texto, mas vale o pretexto. Hoje, Amy completaria 28 anos.

 

Eu queria ser mais cara de pau,

Eu queria ser mais folgado,

Eu queria ser mais corajoso,

Eu queria ser mais malandro,

Eu queria ser mais esperto,

Eu queria ser mais aproveitador,

Eu queria ser mais maldoso,

Eu queria ser mais irresponsável,

Eu queria ser mais desleixado.

 

Eu queria ser menos preocupado,

Eu queria ser menos neurótico,

Eu queria ser menos ciumento,

Eu queria ser menos medroso,

Eu queria ser menos pensante

Eu queria ser menos irritado,

Eu queria ser menos egocêntrico,

Eu queria ser menos implicante,

Eu queria ser menos multipolar.

 

Eu queria tudo isso de fato, mas não…

O mais que eu falo sempre, tenho menos

E o menos, que não deixo de citar, tenho mais.

 

Paulo Francis: “Qualquer pessoa inteligente é contraditória. Só gente burra que não se contradiz.”

 

Pronto, terminei (agora são 11h59min59seg)

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Am I ready now, dear destiny?

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O personagem

O Platinado em ação na Avenida 85. Temperatura de 35,4º C. Foto: Fábio Lima

 

Veio do Sul, de Ponta Grossa ele saiu

Deixou três de cinco filhos

Andou por tudo quanto é lado

E parou no coração do Brasil

 

Trouxe na mala muitas histórias

O desejo de constituir casa, família,

Sem ter de deixar as esquinas

“Quero continuar a acumular vitórias”

 

Rodou e veio para o lugar mais quente

Nos semáforos de segunda a sexta, lá está

Ama o que faz e nunca desiste

Prefere continuar a animar toda a gente

 

Exposto ao sol, o Platinado brilha

Tinta no corpo e sorriso no rosto

Contorce, faz poses, dança

Tudo ali a centímetros do asfalto, na ilha

 

“Aqui em baixo tem um vulcão”,

Reclama sorrindo do calor

E nem por isso deixa de lado a função

Com ajuda de água e amor no coração

 

Negro, 35, só fez o primeiro grau

Desde pequeno embrenhou no circo,

Que faliu depois de certo tempo

E ele continuou com o mesmo astral

 

Não pensou duas vezes e pegou o expresso

Malabarista, cospe fogo, estátua

Já fez de tudo nas esquinas

E hoje, como muito esforço, é sucesso!

 

 

O nome dele é Jefferson Luís Soares, natural do Paraná. Está há um ano e meio em Goiânia, onde pretende ficar. No caso dele, a história vale mais que o nome. São muitos detalhes e episódios interessantes. O Platinado, como é conhecido, ganha a vida nos semáforos. Geralmente, nos das avenidas Independência, T-7 e 85. Eu sempre o via pelas calçadas. Às vezes cedo, ás vezes na hora do almoço. Ele a pé e eu dentro do ônibus, indo trabalhar. Pude conhecer mais de perto, ontem, enquanto cumpria pauta sobre os trabalhadores que precisam ficar muito tempo expostos ao sol e, claro, ao calor de Goiânia que atingiu na última semana índices preocupantes.

Jefferson ganha até R$ 70 por dia, mas para isso tem de fazer poses de sol a sol, das 7 horas ás 19 horas. Nas ruas, ele trabalha de segunda a sexta-feira. Tem cinco filhos e só dois moram com ele. Os outros três vivem com as mães em Ponta Grossa (PR). Aos fins de semana, para conseguir o dinheiro suficiente para o sustento, ainda trabalha em eventos. E o telefone de contato é: (62) 8242-4536. Vale a pena, o cara é competente no que faz.

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