Babei em Céu

A Céu é muito mais que a voz aveludada, clichê utilizado por nove entre dez jornalistas que tentam descrever as características da cantora. Ela fez show em Goiânia ontem. Que mulher! E vamos começar pelas amenidades: bermuda preta, bem acima do joelho, blusa mula manca de tecido leve, nenhuma joia ou penduricalho; pernas longilíneas, malhadas, ombros magros, pele hidratada e o rosto estreito; cachos que encobrem a nuca, olhos profundos, expressivos, nariz fino e uma boca, meu Deus, uma boca!

Ela sabe se movimentar. Comentários e urros sobre aquele contorcionismo sensual em cada milímetro eram expressados em todos os cantos do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG). O espaço não lotou nem a metade, mas nem era preciso. A primeira vez da cantora em Goiânia tinha de ser mesmo em tom intimista, próxima e olho no olho. Tanto que homens e mulheres, independente da orientação sexual, sentiram-se autorizados a saírem boquiabertos e desejosos de mais Céu. Depois de noventa e poucos minutos de show, o ar cheirava a tesão reprimido. Tesão carnal mesmo.

A ansiedade dos fãs goianos, carentes de Céu, foi perceptível. Ela entrou no palco à luz baixa e a gritos altos. Começou a cantar daquele jeito que parece simples, embora bastante peculiar. Cada nota devidamente afinada, cada gesto minucioso, tudo, a princípio, parecia um modo dela dizer: “Oi Goiânia, prazer, meu nome é talento.” E o público não fez por menos. Apresentou-se devoto, contemplativo e com participação que nem a própria cantora esperava. Ela foi impressionada e impressionou, assim como já era esperado por quem já a conhecia. Aqueles que estavam debutando em Céu, saíram com uma única expressão: “Nossa!”

Ela poderia ter virado a noite cantarolando naquele local que chamou de “massa”, cujas portas de vidro da lateral esquerda dão para uma visão panorâmica da cidade. Com certeza ninguém arredaria o pé de lá. Céu faz jus ao nome. A diferença é que com ela não há nebulosidades, tampouco tempo ruim. Há luz e muita sedução. Deixar-se levar não é difícil, pelo contrário. E ela gostou de Goiânia. Tanto que sambou, rebolou, foi até a plateia, mandou beijo, cantou a música “Bobagem” no bis e sorriu com aquela boca. A mesma de onde sai uma das vozes brasileiras mais incríveis e mais conhecidas lá fora. “Cante Céu, cante sempre, não pare, mas volte!”

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