Arquivo do mês: fevereiro 2012

Sinta

Será?

O sentimento é simples. Mesmo aquele de confusão ou indecisão que assola a sensibilidade vez ou outra. Não adianta querer agarrar-se ao dicionário na procura da palavra que melhor se encaixe ou se esforçar por neologismos qualquer. Aliás, para quê palavras? Por que essa necessidade de tentar verbalizar tudo, quando se existem diversas outras formas de expressar e compreender? O tempo é rei, já teria dito algum poeta que não lembro qual. O talzinho disse assim mesmo, em frase direta, com sujeito simples, predicado também simples e um verbo simplório, no presente e generalizante. Afinal, o tempo não poderia ser rei a todo instante, mas é. Só ele para nos mostrar como deve ser, como deveria ter sido e nos dar o direito de cogitar possibilidades sobre o como será. A bula do sentimento, este remédio-cólera, que por vezes alimenta o sorriso, noutras fundamenta o franzir preocupado ou raivoso da testa, é mais singular ainda, no sentido de uma única dica, um único conselho: Ter um amor, ter um único amor, ter uma pessoa, ter uma única pessoa podem parecer circunstâncias vulneráveis demais para o ser humano, esta figura passível de sentimentalismo. Não existe outra saída senão – e esta é a melhor e mais plausível para um bon vivant – o permitir-se sentir desenfreada e sem cabresto. Não tem o que dizer, pensar ou complicar.

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