Arquivo do mês: março 2012

Não é para ser

Aceitar que não é para ser é uma das principais expressões de maturidade do ser humano. Tendemos a nos render à presunção de acreditar que o destino é por nós e que tudo um dia será como sonhamos e almejamos. Deixemos o País das Maravilhas de lado, paremos de ser Alice, não é assim. A realidade é mais cruel do que a beleza da imagem que insistimos em ter em nossas mentes. A empolgação da crença não pode nos inoperar diante da urgência da ação, de mudanças e evolução, conquistadas com suor próprio, sem delongas de factóides da vida ou fantasias que, apesar de válidas, são insípidas, inodoras e incolores, ou seja, não trazem nenhum sentido palpável. É plausível imaginar o futuro, fazer planos, preservar desejos, isso até faz bem, porque não só de cinza, branco e preto é composta a vida. Cores são essenciais também. Só não se pode fazer delas uma armadura, uma espécie de âncora ou bússola capaz de guiar e decidir nossos passos. Doses de realismo fazem bem, e não são doses homeopáticas. São doses gordas, bem servidas, capazes de entorpecer. Por último: tudo isso vale, inclusive, – talvez até principalmente, pois de nada adianta investir na incerteza, na falha ou no que já começou errado – para a maior cólera de qualquer indivíduo, que é o amor.

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Valorizo

Frações de paz diárias

Instantes de sossego

Migalhas de silêncio

Segundos de solidão

Traços de tranqüilidade

Grãos de paciência

Sinais de calma

Milímetros de introspecção

Purezas de consciência

Lapsos de despretensão

Passos de naturalidade

Gramas de contemplação

Emoticons de semblantes bons

Suspiros de abraço

Minúsculos sorrisos bobos

Dedilhadas de paixão

Momentos de coluna ereta

Gotas de futilidade

Raridades de bom humor

Fetiches de tirar o fôlego

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Coração bobo, coração bola, coração balão

Somos muito tolos mesmo. Todos nós, ao ponto de acreditarmos que é possível comandar as vontades do coração. No entanto, ele sempre nos coloca em situações indizíveis e inimagináveis pela razão. E faz isso gargalhando e dizendo: “Eu que mando aqui e é melhor me obedecer.” Resta-nos nem uma fração de raciocínio, porque tudo é feito quase que na involuntariedade, em razão da rapidez, da decisão que nem chegou a ser pensada, mas se faz presente, e das conseqüências esquecidas. Tudo é rápido e certeiro, às vezes para o bem, a maioria delas para o mal. Odeio. Odeio não ser capaz de manter o controle.

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