Arquivo do mês: julho 2012

Regra básica

Quando uma criança nasce, linda e gorducha, é comum os pais, tios e amigos dizerem, referindo-se a ela: “Esse(a) vai destruir muitos corações.” Pode até ser, mas não dizem nada além disso, muito menos cogitam o contrário. Por que ignorarem a máxima de que, na vida, a chance de ter um coração destruído é muito maior que a de destruir o de alguém? Até mesmo porque o índice de amores platônico é alto e não acomete um ou outro, especificamente. Acomete vários. Fôssemos verdadeiramente corajosos  e menos ufanistas, o certo seria: “Esse(a) é mais um(a) que vai ter o coração destruído em vida.” Independe de cor, pele, cabelo, origem, status social, nacionalidade etc.  É assim que funciona o amor.

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Domingo

> Passar o dia de meias, de cueca, dormir, no sofá, na cama, ver televisão, cozinhar, sujar panelas e não lavar, mudar de canal, ver filmes, clipes, documentários, jornais, dançar, na sala, no banheiro, no quarto e sem ver a cor do sol. Sem saber o que se passa lá fora.

> Redescobrindo o prazer de estar só em casa. Vivi cinco anos assim. Era mais eu, confesso.

> Quando morrerem, qual descrição querem ter no Wikipédia? Eu: jovem, intenso, confusão em vida, viveu uma profusão de fatos, crises descabidas, foi belo na maioria das vezes, sofreu pouco quando era para ter sido muito, mas sofreu muito nos instantes poucos e sorriu em demasia. Viveu e morreu.

> Vou parar de ler horóscopo.

> Vou aposentar o telefone e priorizar o e-mail na hora de me comunicar. Odeio telefone. Só falo o que quero na hora da raiva ou do choro. Aliás, sou melhor escrevendo do que falando.

> Preguiça de dar os parabéns para as pessoas em dia de aniversário. Parabéns pela velhice que se aproxima, ou seja, parabéns pela morte que está mais perto agora. ~~parabéns por mais um ano de vida~~: isso é otimismo de cego proposital. Não dá.

> Muitas pessoas passam pela nossa vida e somem. Muitas pessoas passam pela nossa vida e não são capazes de lidar com a nossa transformação. Perdi muitos que poderiam ainda ser amigos, mas preferiram ser ausentes e distantes. Não sofro. Só lamento.

> Quero meu cabelo de quando eu tinha 12 de volta. Quero voltar a ser Backstreet Boys, sabe?!

> Não tenho mais opinião sobre nada, e isso é bom, acredite.

> Definitivamente, meu pecado capital é a preguiça. Rostos, vozes, manias, rótulos, estilos, defeitos, tudo é muito ultimamente e a aversão alienada, em silêncio, de quem se retira para não ampliar a presença e o assunto, é inevitável.

> Comi tudo que tinha, estou com fome e sem dinheiro.

> Pintos, peitos…

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Subversiva

 

A poesia
quando chega
não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
reconsidera: beija
nos olhos os que ganham mal
embala no colo
os que têm sede de felicidade
e de justiça
E promete incendiar o país

Ferreira Gullar

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Anotações

> Enfrentar em sonho aquela situação que você está tentando camuflar em vida é desesperador. E o despertar se deu justo na hora em que o choro viria certo e misturado com soluços. Nó na garganta, peito espremido, coração batendo forte e respiração ofegante.

> O excesso de pessoas também torna a vida cansativa e uma confusão sem tamanho. Chega uma hora que selecionar é preciso e agregar é desnecessário.

> Embora muitos defendem que isso não é ruim, pelo contrário, afirmo que meu maior defeito é não se contentar nunca com o que temos para hoje. A ordem é querer sempre mais e o sofrimento é inevitável. Pelo menos somos levados a viver um eterno aprendizado, que, apesar de difícil, até amadurece e traz paz.

> Todo aprendizado amadurece? Não sei…

> A arte do conformismo só me pega em momentos de cansaço extremo. Assim estou, mas não o tempo todo. O difícil é experimentar nos momentos de exceção aquela ansiedade louca pela revolução, pela mudança, pela novidade, pelo além do horizonte que parece não querer chegar.

> Amadurecer é aceitar as coisas como elas são? Espero que não.

> Cansado de quem não se preocupa, não pergunta se está tudo bem, não traz solução, só problemas.

> Bom senso devia ser genético. Ou, sei lá, o 11º mandamento da bíblia.

> Talvez eu tenha nascido mesmo para dar certo sozinho na maioria das coisas. E talvez eu esteja fazendo tudo errado, porque ando conversando muito. O silêncio pode ser a alma do negócio.

> Dai-me mais tolerância, pai; dai-me mais paciência, menos grosseria, mais amigos verdadeiros, mais carinho e que eu pare de cansar da companhia das pessoas. Não gosto de ser  / estar assim. Talvez seja um pouco culpa da fase, também. Tomara! Estou achando todos os assuntos e conversas chatas demais.

E por último as palavras do guru Fêr Pessoa:

Pratique o desapego

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.

Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo – nada é insubstituível, o hábito não é uma necessidade.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

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