Arquivo do mês: setembro 2012

Goela abaixo

“Vocês que nunca viveram, que nem se quer souberam, que nunca se perderam pra se achar, são vocês que nunca se sentiram, que nunca se ouviram, que nunca se ouvirão a se atacar. São vocês que nunca fizeram nada, que nunca mudam de estrada, que nunca sonharam em poder voar. São vocês que vivem a vida em luta, que nunca se deram conta da lua que envolve o mar. Vocês que nunca sofreram, que nem se quer puderam, que nem mesmo erram pra acertar. São vocês que nunca enfrentaram, que nem se quer ousaram, que nunca ousariam um olhar. Porque não são os criadores de uma nova lei? Porque não são os filósofos da nova era? Pois o mundo ainda espera alguém que venha encontrar a cura; pois o mundo ainda procura alguém que saiba amar.”

TUDO QUE EU QUERO NESSA VIDA É NÃO SER UM DE VOCÊS!

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Fast motion

Outro dia, era 8.

Hora dessa, era ele.

Em passado recente, fui amado.

Passado próximo, até amei.

Tempo desses, era amigo.

Tempo outro, ela nasceu.

“Isturdia”, era folia.

“Isturdia”, vovó morreu.

(…)

Tomara, não chegar a hora

do inglório conhecer.

Coisa breve foi o vento.

assim mesmo breve está sendo viver.

Não mais se vê a brisa,

porque tão presente é o sofrer.

De dia em dia, cada um,

deixando o tempo vencer.

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O amor vai do A ao Z

Tanta coisa para amar e possível de ser amada, e nós ainda preservamos a mania besta de subentender que todo amor deve ou tem uma pessoa como causa. Devemos amar pessoas, mas não é só isso. Quando se fala em amor, já se pensa que é por alguém. Não, isso é a expressão de uma obsessão humana, uma necessidade latente e enraizada de ter um outrem, o que não é saudável, tampouco natural. O amor é necessário, mas ele é mais. É mais rico. Ama-se lugares, ama-se momentos, ama-se a profissão, sensações, ama-se sorrisos, arte, cheiros, sons, cores, ama-se a vida. Empobrecer ou diminuir as possibilidades do amor é masoquismo. É assinar o decreto do próprio sofrimento.

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O Brasil e os gringos

Na minha viagem de férias pude conversar com muitas pessoas de outros países, sem precisar sair do País. Sim, eu estive em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Foram 20 dias passando por albergues e trocando idéias com gente dos quatro cantos do mundo. Gente que, sim, veio visitar o Brasil e conhecer os pontos turísticos daqui. Dentre eles: belgas, argentinos, ingleses, americanos, alemães, russos, holandeses, uruguaios, franceses, portugueses e australianos. Todos se demonstraram muito informados sobre o Brasil e suas características. Alguns até com opiniões bem formadas. Eu quis saber um pouco do que pensam sobre o nosso País, a impressão que tiveram ao visitá-lo e como ele é visto lá fora. Foi interessante a experiência. Seguem alguns tópicos, abaixo:

  • O Brasil possui leis boas, bem elaboradas, mas com pouca aplicabilidade. Na hora da prática não se vê muito compromisso ou interesse de cumpri-las.
  • São Paulo é uma cidade de clima ameno e favorável para os estrangeiros. Daí a quantidade de gringos que optam por começar a visita ao país pela maior metrópole. Sem contar, a variedade de atrações e lugares interessantes. É de Sampa que eles saem, depois, para visitar outros lugares.
  • O sotaque paulista ajuda os argentinos e uruguaios a entender melhor o português. Não souberam falar o motivo direito, mas sentiram dificuldade de me entender, por causa do sotaque goiano.
  • Eles gostam muito da comida e da música brasileira. O tempero brasileiro, o arroz, o feijão, o jeito como é feita a carne. Tudo é apreciado pelos estrangeiros. Em relação a música, alguns conhecem bastante. Outros, em razão do fenômeno recente, ouviram apenas Michel Teló e Gusttavo Lima, que estão estourados lá fora. No geral, todos vieram ao Brasil para ouvir samba, que é o ritmo mais conhecido e difundido como característico do Brasil. Um amigo russo chegou a fazer aulas de samba antes de vir conhecer o Rio de Janeiro. Muito engraçado.
  • A maioria deles considera o português um idioma muito difícil, apesar de eu ter encontrado, em Belo Horizonte, uma alemã mais fluente que muito nativo. Alguns expressaram espanto em notar muita diferença entre o português e o espanhol. Sempre acharam que os dois idiomas fossem praticamente iguais.
  • Um belga ficou espantado com o tráfego intenso de helicópteros na cidade de São Paulo. Disse nunca ter visto nada igual.
  • Paralelo ao tráfego de helicópteros, o que demonstra certa riqueza acentuada e concentrada, ele não deixou de fazer relação com o que viu pelas ruas e identificar uma desigualdade social latente. Os muitos moradores de rua e os pedintes não lhe passaram despercebidos.
  • As baladas brasileiras são muito caras. Tanto a entrada como a bebida.
  • Todos se demonstraram interessados em saber como o Brasil vai conseguir realizar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Perguntaram-me como estavam os preparativos e eu respondi, ressaltando meu sentimento de preocupação, que estavam engatinhando. No Rio, muita coisa precisa ser melhorada até 2016. A começar pelo trânsito caótico. Os cariocas já esperam para os próximos anos a implantação do rodízio de tráfego, assim como é feito em São Paulo.
  • Todos acham o Rio lindo, um lugar especial, pero very dangerous.

 E por último:

  • Nenhum dos estrangeiros com quem conversei havia ouvido falar, até então, sobre Goiânia. O máximo que alguns conheciam sobre Goiás era referente à Chapadão do Céu e, mesmo assim, nunca tinham visitado.
  • Nos guias turísticos brasileiros que eles compram em seus países não falam sobre Goiás. Se existe algum tópico sobre, é pequeno e pouco detalhado.

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Sim, eu me casei com o jornalismo

Descobri que estou casado há dois anos pelo menos. Estou casado e não sabia. Descobri agora, na atual fase. Fosse a crise relacionada a qualquer outra coisa, situação e, até mesmo, uma pessoa, eu seria totalmente capaz de me desvencilhar, de desistir sem delongas, radicalmente, de me livrar sem muita tortura psicológica ou qualquer remorso. Eis que para a crise atual sou totalmente incapaz. A única saída tem sido encarar e resolver os problemas de gente grande com jeito de gente grande, o que é chato, doído, difícil e massacrante.

O jornalismo é um de meus amores, muitos sabem. Mas é o amor com o qual me casei sem saber. Pensava que seria uma relação profissional – profissão, apenas, mas não. É mais. É uma união para a vida toda. Concluí isso diante da minha incapacidade de solucionar bruscamente os problemas em que estou imerso atualmente. Todos, ligados à atividade jornalística. Eu pensei em desistir, pensei em jogar tudo para o alto, pensei em meter o pé na porta e sair. Sou incapaz. Tudo não passou de pensamento. E sou incapaz, porque não conseguiria viver sem.

O pacto fechado no momento da escolha da profissão, lá nos anos idos do Ensino Médio, foi sério, pelo menos da minha parte. É para a vida toda. Eu sei disso. Eu optei por isso e, agora, tenho que saber lidar com as adversidades dessa opção. Resta saber, somente, se é recíproco. O maior medo é que não seja. Mesmo sabendo que tudo passa, que, logo, logo, tudo isso vai acabar, foi inevitável pensar nos últimos dias que eu posso ter me embarcado num navio fadado ao naufrágio. Por outro lado, pensei comigo que, se isso for mesmo um casamento, a dificuldade de agora é só uma das muitas crises temporais. Crise boba.

De qualquer forma, eu peço: “Não me abandone jornalismo. Só isso.”

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