Arquivo do mês: agosto 2016

poemeto da vida (1)

as pessoas vão,
as músicas ficam
às vezes, é bom
às vezes, é foda.

The Perishers – Nothing Like You and I

 

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Santino!

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Os números têm de ser grandes. Só assim ele consegue ver as horas e acompanhar o passar dos dias, que, ao todo, já somam 83 anos. (Bem) Vividos e estufados de tanto causo acumulado. Quem o vê, não imagina. Essas mãos estão para sempre marcadas na História do Brasil. Ele vive lá, próximo à estrada férrea que corta a pequena Vianópolis, no interior goiano. Os mesmos olhos que acompanham os ponteiros do relógio veem, do sofá da sala, a imagem do trem passando emoldurada pela porta. O barulho ele ouve às vezes. Depende do volume e da distância. A imaginação de quem construiu boa parte dos anos o ajuda a desenhar na mente o que não entende ou não consegue ouvir. A vida vai assim, em tom de calma e de sorriso involuntário que se mostra fácil, até mesmo ao falar de enfrentamentos e dissabores. O ex-operário conta tudo mostrando os dentes, espremendo os olhos e franzindo a testa, formando feição de criança alegre, nascida em Sítio D’Abadia. “Tenho cimento dentro do ouvido, por isso tenho dificuldade para escutar”, explica Santino Alves de Souza. O pouco que consegue só é possível com a ajuda do aparelho de audição. Já mais próximo e com a pergunta do porquê sendo quase gritada, ele responde: “Trabalhei na construção de Brasília. Foi lá que isso aconteceu”. O nome dele aparece até em livro, o qual ele faz questão de mostrar. “Posso fazer um retrato do senhor?”, falo pausadamente e três tons acima. Ele se posiciona e é feito o registro. Santino!

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