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Intro

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Em silêncio, decido

pelo silêncio, porque

para trabalhar,

basta fazer.

Para desejar,

basta sonhar.

Para querer,

basta imaginar.

Para conseguir,

basta focar.

E sobre o amor,

não tem o que explicar.

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Eu não sou ruim

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Não sei se sou bom, até mesmo porque me cobro muito, mas sei que não sou ruim. Desde o colégio, eu era diferente. Não gostava das mesmas coisas, programas ou músicas que a maioria. Sempre gostei de arte, teatro e tudo verdadeiramente criativo, impensado e inovador. Ainda hoje, sou assim. Escolhi ser jornalista e, às vezes, até penso que a profissão me escolheu também. Só que é frágil acreditar em destino, e eu tenho consciência disso. Não confio, procuro tentar, procuro inovar, criar de alguma forma, por amor e por sobrevivência. E aí está a questão, a crise. Não minha, exatamente, mas de quem anda cobrando, e isso me chateia.

No jornalismo, sempre procuro retratar temas que me desafiam, transitar por lugares desconhecidos, trazer o assunto com a abordagem que ninguém pensou ou, mesmo em caso de pauta corriqueira, fazê-la do jeito que eu gosto de fazer: diferente. Isso é meu, e assim eu preciso ser. Vez ou outra isso rende reconhecimento. Com menos de três anos de carreira, diria até que já conquistei muita coisa. Estou dando certo, na medida do possível. Aliás, não me lembro de ter dado errado no trabalho. Só no amor. Mas as pessoas cobram, e isso me chateia.

Entendo que eu alimentei isso. Entendo que os resultados precoces e o talento que muitos viram, desde o princípio, fizeram crer que eu fosse ser algo além do piso salarial. Não, eu sou só mais um jornalista no meio da multidão, e que não me resta outra saída, senão aceitar o piso e sobreviver. Eu não tenho problemas com o piso. Aliás, sim, eu me indigno, o que é natural. No entanto, eu vivo ao meu jeito, continuo criando, sorrindo, economizando e seguindo adiante. Já fui mais impaciente, ansioso por melhoras salariais, louco por dinheiro. Hoje, eu diria que o meu prazer por fazer o que gosto é, sim, o pão e a água de que tanto preciso. Mas tem gente que não entende, e isso me chateia.

E a chateação surge porque eu sempre trabalhei, desde os tempos de cursinho. Sempre briguei pela independência, mesmo que mínima, e guardo a noção de que o dinheiro dos meus pais não é meu. Só eu sei o que já passei para conseguir chegar até o final do mês sem ter que pedir ajuda ao meu pai. Não gosto, não quero. Eu já me cobro isso, faço sem que ninguém precise me orientar. Tenho 25 anos. Deveria estar em melhor situação? Não necessariamente, mas poderia. A profissão que escolhi é difícil, mas por amor a ela, ao meu prazer e, principalmente, em razão da minha consciência incansável, eu tento e farei o possível para melhorar.

Só queria que soubessem disso e que pensassem em tudo o que eu já fui, consegui e sou antes de vir me questionar com algo mais ou menos assim: “O que você está pensando da vida?”

Eu não estou inerte. Estou paciente, diante da dificuldade, mas lutando. E, por último: eu não sou ruim.

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Tão

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Às vezes, eu queria ser tanto, e esse tanto é tão pouco, porque são atitudes, à primeira vista, simples, mas muito para mim, que é exatamente o oposto. Eu rezo, peço, diariamente, por mais organização, por mais controle das coisas. Parece tudo tão confuso, tão solto, tão sideral. É muita coisa fora do eixo, e isso incomoda. Tenho ideias, tenho disposições esporádicas e a vontade é constante, mas é uma vontade fraca, covarde, introspectiva e que insiste em não se externar, tornar-se prática. Por exemplo: lembro de que tenho que lavar as roupas, uma coisa simples – na verdade, elas me lembram, porque estão há uma semana jogadas no chão do quarto e, claro, não passam despercebidas -, mas, mesmo sendo a máquina de lavar a responsável pela tarefa, eu as deixo no mesmo lugar, privando-me do mínimo esforço de separá-las e jogá-las no tal eletrodoméstico. Aliás, esforço é uma coisa que sumiu de mim. Há muito, a paixão, o fogo que motivava determinadas atitudes e condutas desapareceu. Isso dói, porque me sinto longe e avesso e reclamão e insatisfeito e tão… tão humano, no sentido das piores consequências dessa condição. Oro, ao meu jeito, em pensamento, na rua, em casa, no quarto, antes de dormir, no ônibus. Sonho sempre, com a ajuda das músicas, que passam pelos fones de ouvido e facilitam a construção, na mente, da imagem de dias melhores, dos sinais de um futuro bom. Quero ser menos o eu de hoje. No caso, quero ser menos o meu lado pior, e melhorar. Sinto que ele está se destacando mais. Tão querer, no entanto, não significa tão ser. A ação está misturada na sinuosidade da confusão mental, nas curvas do pensamento errante e, portanto, perdida. Coitada. Desejo, para mim, estudar corretamente, do jeito a que me propus no início e, na segunda semana, já não cumpria mais as metas estabelecidas. Desejo controlar os gastos, utilizar menos a internet, tão presente, tão dona de mim. Isso me assusta. Desejo falar pouco, pedir perdão quando errar ou magoar, desejo privilegiar o silêncio e não berrar, não rir ironicamente, não caçoar, não ficar opinando sobre tudo. Necessito cuidar mais da saúde, beber socialmente, correr, nadar, andar de bicicleta e patins. Desejo controlar a sinceridade e, talvez, quem sabe, um dia, conseguir ser político nas relações, menos radical, mais solícito e deixar um pouco a acidez de lado. Preciso comprar um relógio, um cinto, um blazer, levar duas camisas e uma calça para arrumar, e sorrir. Desejo amar mais, expressar isso e, ao passo, viver mais eu, a minha vida e cuidar dela. Tudo isso, apesar de tão muito, hoje é tão muito o oposto de mim. Espero, porém, chegar um dia, aqui neste blog, tão meu terapeuta e tão cheio de textos de um parágrafo, todos cuspidos, ilustrações das milhões de fases e escarrados, porque a inspiração não espera, nem avisa, e poder dizer para vocês, meus tão poucos leitores, que eu, essa pessoa tão louca e intensa, conseguiu, enfim, ser tudo que sonhou e realizar do desejo tão mais simples ao tão mais complexo.

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Status

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A individualidade tem me assustado, tamanha a presença em minha vida. E o susto não se dá pelos pontos negativos que ela traz, até mesmo porque os positivos são bem atraentes, mas pelas circunstâncias que a formaram em mim. Vê-la e senti-la presente me faz pensar. Melhor: recordar. O passado recente foi generoso. Foi muito em tudo e a característica intensidade deste que vos escreve foi testada, exposta, julgada e, tantas vezes, fruto de análise. Chegou-se ao ponto dos outros saberem mais da minha vida do que eu mesmo. E, nesses outros, estiveram inclusos pessoas diversas, grupos diversos e seres com os quais o contato havia sido mínimo, até então. Mesmo assim, sabiam, souberam, ficaram sabendo por meio de outras vozes. Eles viram a perda da direção, o descontrole do foco, os vários focos simultâneos, os amores e dissabores sucessivos, porque cada um trouxe consigo um remorso posterior, e a vontade latente pelo insuficiente, inexistente e o ilimitado. Enquanto isso, para mim, tudo era vida para ser vivida, e fui. Os coletivos desarmoniosos, as opiniões alheias (algumas involuntárias), a invasão de impressões e os index fingers apontados, todos juntos cansaram e me formaram. Assim, estou. O silêncio do ambiente pessoal, a liberdade da solidão, a companhia agradável dos cômodos, do cheiro e das coisinhas de casa, a desnecessidade do alguém presente, aquele alguém que tantos buscam dia após dia. Isso tem sido prazeroso, uma espécie de oito para quem viveu o oitenta até meses atrás, e o espanto é inevitável.

Rio, sorrio, acho graça.

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Calma

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Viver com calma. É essa a pedida para 2013. A velocidade deste ano que termina foi latente e o que restou foi um ser cansado, embora de experiências e muitas coisas boas para contar. No entanto, tudo foi tão veloz que detalhar é complicado, tarefa difícil. Foi um ano em que fiquei pouco com a família. Foi um ano em que fiquei pouco comigo mesmo e muito com todo o resto. Eu precisava disso, bem sei, mas agora sinto que precisava, ao passo, para ver o essencial e identificar o que é nosso e está por nós de verdade. Acelerei, conquistei algumas coisas, melhorei noutras e piorei também. Faltou respirar, respeitar o tempo. Quis tudo simultâneo e foi inevitável a frustração em alguns instantes. Quero gozar os dias, ver a verdade das coisas, sentir o que está por aí, sem querer controlar tudo (meu maior defeito). Chega, pautar a vida é besteira. Vou solto, vou paciente. Vou certo da existência essencial de pessoas que não quero perder, tampouco deixar a velocidade afastar; da existência de coisas e lugares que precisam ser descobertos; dos bons hábitos que estão aí para serem cultivados; da existência de um eu, cujo respirar ofegante serviu para aprender, amadurecer e ver. Ver que a vida não para, não!

 

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Goela abaixo

“Vocês que nunca viveram, que nem se quer souberam, que nunca se perderam pra se achar, são vocês que nunca se sentiram, que nunca se ouviram, que nunca se ouvirão a se atacar. São vocês que nunca fizeram nada, que nunca mudam de estrada, que nunca sonharam em poder voar. São vocês que vivem a vida em luta, que nunca se deram conta da lua que envolve o mar. Vocês que nunca sofreram, que nem se quer puderam, que nem mesmo erram pra acertar. São vocês que nunca enfrentaram, que nem se quer ousaram, que nunca ousariam um olhar. Porque não são os criadores de uma nova lei? Porque não são os filósofos da nova era? Pois o mundo ainda espera alguém que venha encontrar a cura; pois o mundo ainda procura alguém que saiba amar.”

TUDO QUE EU QUERO NESSA VIDA É NÃO SER UM DE VOCÊS!

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Fast motion

Outro dia, era 8.

Hora dessa, era ele.

Em passado recente, fui amado.

Passado próximo, até amei.

Tempo desses, era amigo.

Tempo outro, ela nasceu.

“Isturdia”, era folia.

“Isturdia”, vovó morreu.

(…)

Tomara, não chegar a hora

do inglório conhecer.

Coisa breve foi o vento.

assim mesmo breve está sendo viver.

Não mais se vê a brisa,

porque tão presente é o sofrer.

De dia em dia, cada um,

deixando o tempo vencer.

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